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Quinta-feira, 5 de julho de 2018
Abro a coluna com o famoso Severino Pé de Chumbo, de Campina Grande/PB

Atravessando em diagonal - Severino Cabral foi prefeito de Campina Grande/PB, vice-governador, chefe político de muitos votos. E conhecido pelas tiradas engraçadas. Uma tarde, no Rio, andava pela avenida Rio Branco. Resolvendo passar para o outro lado, meteu-se na frente dos carros, fora do sinal. O guarda gritou:

– Cidadão, não pode ir por aí. É proibido atravessar em diagonal.
Severino Cabral voltou:
– Você não conhece roupa não, ignorante? Isto não é "diagonal". É "tropical maracanã".
Atravessou em diagonal e tropical.

Robôs como cabos eleitorais - Uma das novidades da campanha eleitoral deste ano são os cabos eleitorais da era tecnológica: os robôs. Vejam o que se apura: mais de 60% dos quase 410 mil seguidores no Twitter do senador Álvaro Dias, pré-candidato à presidência pelo Podemos, são, na verdade, perfis robôs, controlados automaticamente por terceiros. Não somente Dias está sendo seguido por robôs. Todos os candidatos têm seus exércitos tecnológicos. A análise foi feita pelo Instituto InternetLab, centro de pesquisas dedicado a temas do Direito e da tecnologia. Segundo a organização, há indícios de compra de seguidores para o candidato com o objetivo de inflar artificialmente sua reputação na rede.

Casa a casa - O eleitor está desconfiado. Arisco. Apático. Crítico. Daí o esforço que candidatos deverão fazer para sensibilizá-lo. Como? Não há tática melhor que a conversa direta, olho no olho, mão na mão. Por isso, um conselho pode ser dado. Fazer uma campanha porta a porta, casa a casa, mão na mão, olho no olho. Em tempos de descrédito e desprezo pela classe política, este será o caminho melhor.

DEM e PSB, noivas cobiçadas - O DEM, presidido por ACM Neto, é a noiva cobiçada. Por Ciro Gomes, do PDT, por Geraldo Alckmin, do PSDB, por Meirelles, do MDB e outros. O DEM se divide. Parte quer fazer aliança com Alckmin, parte com Ciro. O PSB também está sendo cobiçado. Até final deste mês, os casamentos deverão ocorrer. Tempo de mídia eleitoral – eis o cacife que esses partidos terão a dar.

Dilma em MG - A ex-presidente Dilma Rousseff lidera a corrida para o Senado em Minas Gerais. Mas há muitas dúvidas: o governador Fernando Pimentel aguentará o tiroteio? E se o senador Anastasia disparar na frente? Como Dilma explicará o desastre que foi seu governo?

Lula até o final - Confirma-se a ideia do PT de jogar Lula no embate eleitoral até meados de setembro, quando o TSE deve decidir sobre sua elegibilidade. E cresce a hipótese de que entre na chapa como candidato a vice o ex-ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, que entraria apenas como figurante. Porque o plano B, o perfil no lugar de Lula, ainda é Fernando Haddad.

Renovação - Este consultor acredita que a renovação nas Casas congressuais seja por volta de 40%. Na contramão do sentimento da sociedade, que desejaria fazer uma limpeza geral. Não há assim tantos perfis novos. E por falta de opção, o eleitor costuma votar nos mais próximos e conhecidos. Abaixo, uma tentativa de interpretar o que se passa na cachola do eleitor.

O eleitor, uma caixa-preta - O eleitor é uma caixa-preta. Difícil de saber o que se passa em sua cabeça. Pode mudar de um momento para outro. Pesquisas que aferem hoje seu posicionamento poderão flagrar outro estado de espírito daqui a um mês ou nas proximidades da eleição. Tentemos decifrar a caixinha de surpresas que o eleitor esconde, a começar com uma pergunta: Qual é o significado do voto? Quando um eleitor opta por um candidato, que fatores balizam sua decisão?

Componentes - Esta é uma das mais instigantes questões das campanhas eleitorais. A resposta abriga componentes relacionados ao conceito representado pelo candidato e ao ambiente social e econômico que cerca os eleitores. No primeiro caso, o eleitor leva em consideração valores como honestidade/seriedade; simplicidade; competência/preparo; capacidade de comunicação; entendimento dos problemas; arrogância/prepotência e simpatia. Sob outra abordagem, o voto quer significar protesto, um castigo aos atuais governantes e a candidatos identificados com eles, vontade de mudar ou mesmo aprovação às ideias dos perfis situacionistas.

Perfis para muitos gostos - Tenho sido indagado sobre os perfis preferenciais do eleitorado. Cada região tem suas preferências. Há, porém, alguns traços sobre os quais parece haver consenso:

- passado limpo, vida decente - candidatos que possam exibir sua trajetória sem ter vergonha de mostrar aspectos de sua vida;
- identificação com o Estado, com as regiões - candidatos que busquem vestir o manto das regiões, significando compromisso com as demandas das comunidades e as questões específicas dos municípios;
- despojamento, simplicidade - candidatos despojados, simples, descomplicados, sem as lantejoulas e salamaleques que costumam se fazer presentes no marketing exacerbado. Candidatos não afeitos ao 'dandismo' - mania de querer aparecer de maneira diferente.
- respeito, decência, dignidade pessoal - candidatos de postura respeitosa para com os eleitores e identificados com uma vida pessoal e familiar digna;
- transparência, verdade - candidatos que não temam contar as coisas como elas são ou foram;
- objetividade, viabilidade de propostas, concisão, precisão - candidatos de expressão objetiva e concisa, capazes de fazer propostas viáveis e não mirabolantes. Precisos na maneira de abordar os assuntos.

Simpatia/empatia - Neste caso, os pesos da balança assumem o significado de satisfação e insatisfação; ou confiança e desconfiança. A questão seguinte é saber qual a ordem em que o eleitor coloca essas posições na cabeça e por onde começa o processo decisório. Não há uma ordem natural. O eleitor tanto pode começar a decidir por um valor representado pelo candidato - simpatia, preparo, capacidade de comunicação - como pelo cinturão social e econômico que o aperta: carestia, violência, desemprego, insatisfação com os serviços públicos precários, etc. Os dois tipos de fatores tendem a formar massas conceituais - boas e ruins - na cabeça do eleitor.

Impressões positivas e negativas - A exposição dos candidatos na mídia vai criando impressões no eleitorado. E as impressões serão mais positivas ou mais negativas, de acordo com a capacidade de o candidato formular ideias e apresentar respostas aprovadas ou desaprovadas pelo sistema de cognição dos eleitores. Se o candidato ajustar o discurso ao clima do momento, terá melhores condições de laçar (fisgar) o eleitor. E daí, qual a lógica para a priorização que o eleitor confere às ideias dos candidatos? Nesse ponto, cabe uma pontuação de natureza psicológica.

Instintos natos - As pessoas tendem a selecionar coisas (fatos, pensamentos, eventos, perfis) de acordo com os instintos natos de conservação do indivíduo e preservação da espécie. Quer dizer, o discurso mais impactante e atraente é o que dá garantias às pessoas de que elas estarão a salvo, tranquilas, com dinheiro no bolso, bem alimentadas. O discurso voltado ao estômago do eleitor, ao bolso, à saúde é prioritário. Tudo que diz respeito à melhoria das condições de vida desperta a atenção. Depois, as pessoas são atraídas por um discurso mais emotivo, relacionado à solidariedade, ao companheirismo, à vida familiar. (Este consultor não se cansa de repetir a equação que criou: BO+BA+CO+CA= Bolso cheio, Barriga satisfeita, Coração agradecido, Cabeça tende a votar em que propiciou o bem-estar).

Medo e insegurança - Esses apelos disparam os mecanismos de escolha. Se a insatisfação social for muito alta, os cidadãos tendem a se abrigar no guarda-chuva de candidatos da oposição. Se candidatos com forte tom mudancista provocarem medo, as pessoas recolhem-se na barreira da cautela, temendo que um candidato impetuoso vire a mesa abruptamente. Assim, mesmo com certa raiva de candidatos apoiados pela situação, os eleitores assumem a atitude dos três macaquinhos: tampam a boca, os ouvidos e olhos e acabam votando em candidatos situacionistas.

Convencimento - O maior desafio de um candidato de oposição, dentro dessa lógica, é o de convencer o eleitorado de que garantirá as conquistas dos seus antecessores, promovendo mudanças que melhorarão a vida das pessoas. Simples promessa não adiantará: é preciso comprovar tim-tim por tim-tim como executará as propostas. Por isso mesmo, quando o candidato agrega valores positivos, a capacidade de convencimento do eleitor será maior. Não se trata apenas de fazer marketing, mas de expressar caráter, personalidade, a história do candidato.

Coerência - Uma história amparada na coerência, na experiência, na lealdade, na coragem e determinação de cumprir compromissos. Proposta séria e factível transmitida por candidato desacreditado não colará. Os dois tipos de componentes que determinam as decisões do eleitor - as características pessoais dos candidatos e o quadro de dificuldades da vida cotidiana - caminham juntos, amalgamando o processo de escolha dos cidadãos.

Despertar os estímulos - O marketing político bem feito é aquele que procura juntar essas duas bandas, costurando os aspectos pessoais com os fatores conjunturais, conciliando posições, arrumando os discursos, analisando as demandas das populações, criando ênfases e alinhando as prioridades. O que o marketing faz, na verdade, é acentuar os estímulos para que o eleitor possa, a partir deles, tomar decisões. E os estímulos começam com a apresentação pessoal dos candidatos, a maneira de se expressar, de se vestir.

Comunicação clara - Os cenários aguçam ou atenuam a atenção. A fluidez de comunicação, a linguagem mais solta e coloquial cria um clima de intimidade com o eleitor. As propostas precisam ser objetivas, claras e consistentes. As influências sociais e até as características espaciais e temporais despertam ou aquecem as vontades. O eleitor é uma caixa-preta. E na eleição deste ano procurará se esconder mais que em campanhas anteriores. Está mais desconfiado e crítico. Não quer comprar gato por lebre. Aumentou sua taxa de racionalidade. Desvendar o quê e como pensa é o maior desafio dos candidatos.

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