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Quinta-feira, 6 de setembro de 2018
Abro a coluna com uma historinha do Pará

Socorro, socorro! - João Botelho, candidato a prefeito de Belém, passou o dia inteiro anunciando um comício, à noite, na praça Brasil. Chegou na praça, não havia ninguém. Será que estou no lugar errado? pensou. Será que não estou enganado? Perguntou ao assessor. 

- Não houve engano não, deputado, a praça é esta mesma.
Foi ao bar mais perto, pediu dois caixotes de madeira, pôs no centro da praça, subiu e passou a berrar alucinado:
- Socorro, Socooorro, Socoooooooro!
Correu gente de todo lado para ver o que era. Plateia arrumada, Botelho começou o comício:
- Socorro para um candidato...
E fez o comício.

Tragédia - O incêndio que destruiu o Museu Nacional do Rio, o mais antigo do país e uma das mais importantes instituições científicas e antropológicas da América Latina, queimando cerca de 20 milhões de itens, é o mais evidente exemplo da incúria e do desleixo com que o poder público trata o patrimônio da Nação. Todos apontam: era a crônica de uma tragédia anunciada. Como uma instituição que completa 200 anos não tinha estrutura de prevenção de incêndios? Como o maior abrigo cultural do país foi tratado de maneira tão irresponsável por governos ao longo de sua história? E assim caminha o Brasil na rota do descalabro.

A politização do incêndio - Do Blog BR 18, de jornalistas do Estadão. "Além do presidenciável Guilherme Boulos, do PSOL, dirigentes do PT e de partidos aliados tentaram politizar de forma oportunista o incêndio do Museu Nacional com publicações nas redes sociais. Da turma do PT, fazem parte da lista a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, e o senador Lindbergh Farias. Manuela d'Ávila, do PC do B, vice do vice de Lula, seguiu no mesmo caminho. Depois, ela apagou o post, mas ele já havia sido "printado" por internautas. Manuela e os petistas dizem que o incêndio foi resultado do teto dos gastos e do "austericídio", mas o Museu Nacional está sob responsabilidade da UFRJ, que tem autonomia financeira e administrativa para gerenciá-lo. O reitor da UFRJ, Roberto Leher, é filiado ao PSOL de Boulos. Também fazem parte do PSOL outros dirigentes da Universidade".

O tiroteio começou - A orquestra de comunicação da campanha começou a tocar hinos laudatórios de candidatos e brados de guerra contra adversários. Como se previa, cada candidato promete ser o melhor, aquele que possui as melhores propostas para o país. Concentram forças e desenvolvem esforços, nesse início de campanha, no Sudeste, particularmente em São Paulo, com seus 33 milhões de eleitores. Desta feita, vemos uma cobertura de imprensa mais intensa, com as agendas dos principais candidatos sendo diariamente expostas. Ou seja, o discurso chega ao eleitorado.

Impacto - Os filmetes de desconstrução de perfis chamam a atenção. Dois deles partem da equipe de campanha de Alckmin e tentam atingir Jair Bolsonaro. Um deles resgata diálogos agressivos do candidato com a deputada Maria do Rosário (PT-RS) e com uma jornalista. Os episódios, com expressões ríspidas, procuram mostrar como Bolsonaro trata as mulheres. Donde vêm as perguntas: "você gostaria de ser tratada assim? Que sua mãe fosse tratada assim? Que sua filha fosse tratada dessa forma? Você gostaria de ter um presidente que trata as mulheres como Bolsonaro trata?"

À bala - A resposta dos Bolsonaro veio logo. "Sr. Geraldo Alckmin, vulgo 'merenda', essa é a mensagem que o Brasil precisa. Necessitamos de homens e mulheres para botar ordem nesta baderna que pessoas como o senhor insistem em perpetuar", respondeu Eduardo Bolsonaro, o deputado filho do candidato em tuíte acompanhado de um vídeo ironizando o filme de Alckmin. No vídeo, uma bala perfura vários objetos e estanca perto da cabeça de uma criança, com os dizeres "não é na bala que se resolve" - clara referência à proposta de Bolsonaro de liberar o porte e o uso de armas no país. "Vamos mudar o sistema corrupto, nem que seja na bala", completa Eduardo.

Foco está errado? - Geraldo Alckmin está certo em escolher como alvo, nesse momento, o candidato Bolsonaro? Ao que se sabe, essa estratégia deve ter sido testada por pesquisas com grupos. Ora, sabemos que tais pesquisas tomam o rumo que alguns "iluminados" querem, a partir de perguntas que invariavelmente conduzem às respostas desejadas. O fato é que Bolsonaro é mais fácil de ser derrotado em um segundo turno do que o candidato do PT, adversário histórico do PSDB.

PT como alvo - O PT é o responsável pelo desastre que abala o país desde o mensalão. A maior recessão econômica da história brasileira foi perpetrada pelo ciclo lulo-dilma-petista. Alckmin deveria assumir a posição de adversário número 1 do petismo. Para tanto, precisa deslocar Fernando Haddad, tirando sua chance de ser o opositor de Bolsonaro no segundo turno. Mais eficaz seria um ataque massivo ao petismo, pelo menos nesse momento.

5 horas de reunião - O Comitê Político/Eleitoral do PT, sob comando de Fernando Haddad, teve uma reunião de horas, ontem, com Lula em seu escritório na prisão da PF em Curitiba. Acompanharam Haddad os advogados Cristiano Zanin, Valeska Zanin, Eugênio Aragão e Luiz Eduardo Greenhalgh. Impedida de ver Lula como advogada, Gleisi ficou do lado de fora da PF. Só mesmo no Brasil algo tão inusitado.

Sinais claros: 15 de setembro - Em meados deste mês, poderemos ter sinais mais claros da tendência eleitoral. Duas semanas de programa eleitoral devem nortear os rumos das candidaturas. Os nomes dos protagonistas serão conhecidos, seus discursos serão ouvidos e tudo indica que haverá movimento de ascensão e queda de posição. A dúvida que se apresenta mais forte, hoje, envolve as possibilidades do tucano Geraldo Alckmin, que dispõe do maior tempo de rádio e TV. A audiência dos programas, a partir do dia 15 de setembro, tende a refluir para voltar a subir nas duas últimas semanas, ou seja, a partir de 25 de setembro.

Por enquanto... - Os cenários continuam sendo praticamente os mesmos, com chances de Bolsonaro, Haddad, Ciro Gomes, Alckmin e Marina de conseguir ingressar no segundo turno. O fato é que Lula fora do páreo põe uma camada de nuvens sobre a possibilidade de Haddad. Vai depender da grande transferência de votos do lulismo para o ex-prefeito de São Paulo no Nordeste. Já Alckmin dispõe da arma da mídia eleitoral. Será o mais exposto. Marina se movimenta e pode, também, herdar votos de Lula no Nordeste. Ciro vive sob a ameaça da língua solta. Meirelles, esse parece sem chances. De todo esse quadro, emerge a posição de liderança de Bolsonaro sem Lula candidato. Mesmo assim, há quem o veja fora do segundo turno por conta do seu curto tempo na mídia eleitoral. Por enquanto, sustenta a posição.

A raposa e o leão - "Um príncipe precisa usar bem a natureza do animal; deve escolher a raposa e o leão, porque o leão não tem defesa contra os laços, nem a raposa contra os lobos. Precisa, portanto, ser raposa para conhecer os laços e leão para aterrorizar os lobos". Conselho do velho Maquiavel, que arremata: "não é necessário ter todas as qualidades, mas é indispensável parecer tê-las".

Pesquisa de banco - Lula cai e empata com Bolsonaro em 21% no voto espontâneo, diz BTG Pactual. Em cenário com Haddad, militar tem 26%, Alckmin fica com 6% a 8%. O 1º levantamento de intenção de voto do banco BTG Pactual, realizado pela FSB Pesquisa, após o início da propaganda eleitoral na TV e no rádio indica uma queda acima da margem de erro no percentual de intenção de votos do ex-presidente Lula no cenário espontâneo, em que não são apresentados os nomes dos candidatos.

Recurso no Supremo - Ministro do STF que votou recurso de Lula no TSE não pode relatar pedido de liminar naquela Corte, o que deixará de fora os ministros Rosa Weber, Edson Fachin e Luís Roberto Barroso. O regimento diz que quem participou do julgamento eleitoral será excluído da distribuição da relatoria de recurso no STF.

Testando a Justiça - O PT não tem jeito. É mesmo um partido de contestação. Mesmo proibido de inserir Lula na programação como candidato, decidiu testar a Justiça Eleitoral. Optou por não adaptar programas de rádio para ver a reação dos juízes. Mas com a multa imposta pelo ministro Luiz Felipe Salomão, de R$ 500 mil por reprodução em caso de descumprimento, o partido deve fazer as adaptações, fazendo com que Lula apareça com 25% de tempo permitidos pela lei eleitoral e Fernando Haddad, que deve assumir a candidatura, com 75% do tempo.

Napoleão e Sherman - É bom recordar as lições de Napoleão. Que dizia: faire som thème em deux façons (fazer as coisas de dois modos). O general William Sherman, que comandou a campanha de devastação durante a Guerra da Secessão norte-americana, também lembrava: "Ponha o inimigo nos cornos de um dilema". Nunca um político deve trabalhar com uma única hipótese. Um candidato precisa dispor de algumas alternativas.

Dilma senadora - Recebo do grande advogado Adilson Dallari esta mensagem a propósito da polêmica levantada pela candidatura de Dilma Rousseff ao Senado. Há analistas que dizem ter havido jogo combinado entre o presidente da nossa mais alta Corte e o presidente do Senado, Ricardo Lewandowski e Renan Calheiros, na época do impeachment, para permitir à ex-presidente o exercício de seus direitos políticos. Dallari é enfático: "não houve mudança da lei, nem vai ficar por isso mesmo. Nos exatos termos do disposto no parágrafo único, do artigo 52 da Constituição Federal, a cassação do mandato do presidente da República implicará, automaticamente, na 'inabilitação', por oito anos, para o exercício de função pública".

Registro dará problema - Arremata o professor: "ao Senado compete apenas julgar se o presidente da República é culpado ou inocente da acusação de crime de responsabilidade, sem qualquer possibilidade de alterar a penalidade estabelecida pela CF. Aquela ação entre amigos serviu apenas para manter as mordomias da ex-presidente, mas vai dar problema, agora, quando do registro de sua candidatura ao Senado. Se o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais cumprir o seu dever, o registro da candidatura da Dilma deverá ser negado. A impugnação foi devidamente formalizada".

Viabilidade - Carlos Matus, cientista social chileno, em um magistral estudo sobre Estratégias Políticas, demonstra que a viabilidade de um ator na política tem a muito que ver com a estratégia e seus princípios fundamentais. Eis alguns princípios estratégicos: a) Avaliar a situação; b) Adequar a relação recurso/objetivo; c) Concentrar-se no foco; d) Planejar rodeios táticos e explorar a fraqueza do adversário; e) Economizar recursos; f) Escolher a trajetória de menor expectativa; g) Multiplicar os efeitos das decisões; h) Relacionar estratégias; i) Escolher diversas possibilidades; j) Evitar o pior; k) Não enfrentar o adversário quando ele estiver esperando; l) Não repetir, de imediato, uma operação fracassada; m) Não confundir "reduzir a incerteza" com "preferir a certeza"; n) Não se distrair com detalhes insignificantes; o) Minimizar a capacidade de retaliação do adversário.

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