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Quarta-feira, 13 de junho de 2018
Abro a coluna com a verve do amigo Sebastião Nery numa historinha da Bahia envolvendo candidatos em campanha

O que eu sou? - O caso é verídico. O farmacêutico Claodemiro Suzart, candidato do PTB à prefeitura de Feira de Santana, decidiu fazer o comício de encerramento da campanha na rua do Meio, na zona do meretrício. E jogou o verbo: "o povo precisa estudar a vida dos candidatos, desde o nascimento deles, os lugares onde nasceram, para saber em quem votar direito". Por exemplo, Arnold Silva, da UDN, nasceu em Palácio, nunca falou com o povo. O que ele é?

- Candidato dos ricos - gritava a multidão.

- É isso mesmo. Não pode ter o voto de vocês. E Fróes da Mota, candidato do PSD, nunca sentiu o cheiro de povo. Só gosta mesmo é do gado de sua fazenda. O que ele é?

- Candidato dos fazendeiros - delirava a galera.

- Isso mesmo. Não pode ter o voto do povo. Já eu, meus amigos, nasci aqui, nesta rua do Meio, a mais popular de Feira de Santana. E eu, meus amigos, o que eu sou?

Lá do fundo da turba, um gaiato soltou a voz: - Filho da puta.

O comício acabou ali.

Panorama sob céu nublado - O Brasil vive estado de letargia. Eleitorado não se motivou nem para a Copa do Mundo, que está começando, nem para a campanha eleitoral, que está se apresentando como uma gigantesca parede de mosaicos, sem nenhum bloco a chamar a atenção. A indignação contra a classe política é patente até no silêncio das massas. As mobilizações são mais escassas. Os perfis lutam para dar visibilidade ao seu pensamento.

Refluxo na economia - As redes sociais continuam a fazer o jogo "tiroteio recíproco" entre grupos. As pesquisas contêm um imenso viés: a de pôr Lula como candidato. A economia dá sinais de refluxo, quando as coisas começavam a melhorar. A inflação, mesmo contida, dá sinais de voltar a crescer. Os governantes dos Estados, com exceção de uns cinco, aproximadamente, não receberão o passaporte de volta. O caminho até 7 de outubro é cheio de curvas e surpresas.

Imponderável - Na terra "onde se plantando tudo dá", o Senhor Imponderável dos Santos do Pau Oco pode baixar a qualquer momento.

Pré-campanha lenta - A pré-campanha está avançando lentamente. Os candidatos esperam por algum imprevisto ou torcem para que o maná caia do céu. Só agora parece descobrirem a importância do tempo televisivo. Procuram partidos médios, com cerca de 30 parlamentares e mais, para fechar acordos e parcerias. PP, PRB, PTB e PDS estão entre os mais procurados.

Josué, o cobiçado - Josué Gomes da Silva, o empresário dono da Coteminas, é ambicionado por partidos. Tem dinheiro e encarna a novidade. Daí o assédio que está sofrendo. Pode custear a própria campanha se, por acaso, se transforme em candidato de um partido forte. O PP, por exemplo. Josué é filho do ex-presidente de Lula, José Alencar, falecido. Tem origem em Minas, o segundo maior colégio eleitoral do país. Pode figurar ainda como candidato a vice. Tem cacife $$$$$$$.

Lula animado - Quem visita Lula sai dizendo que ele está muito animado. Mais magro, esbelto, lendo muitos livros, esperançoso e com a ideia mais do que fixa de que nunca cometeu erros. Não tem culpa na Justiça.

Lula candidato - O PT aposta na candidatura do ex-presidente, que deve entrar na Lei da Ficha Suja. Não menosprezo o PT, mas também não o glorifico. Parece que os petistas ainda não mediram o tamanho do buraco que o ciclo governativo do partido abriu no país. Mas, se Lula não for candidato, deve ser um forte eleitor. De cara, põe seu substituto no patamar de 15%.

Chute pra fora - Paulo Skaf, Presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), não sabe o índice da indústria de transformação na formação do PIB nacional. Na sabatina promovida pelo UOL, Folha de S. Paulo e SBT com os candidatos ao governo do Estado, o pré-candidato do MDB chutou 12%. O índice representou pouco mais de 9% no primeiro trimestre de 2018. Ainda que fosse considerado o ano de 2017, quando a indústria atingiu o patamar de 10,15% do PIB, o índice de Skaf seguiria superestimado. O jogador de chute errado!

Lendo pesquisas - A última pesquisa DataFolha, divulgada no fim de semana passado, foi iniciada com uma pergunta aberta, espontânea, o que, a meu ver, distorce todo o quadro. Estamos vivendo momentos de polaridade e tensão e é claro que uma pergunta aberta dispara ânimos, motiva a militância, funciona como pólvora que estende a fogueira para muitos lados. Qualquer desvio padrão distorce resultados.

Distorção - O eleitor vai votar numa lista que pode ver na cabine de votação. Ele pode analisar, pender para um lado e outro, comparar. Seus estímulos são levados a um processo de escolha múltipla. Colocar a pergunta espontânea na abertura é arregimentar um exército que está pronto a entrar na batalha! O esquentamento do perfil que tem mais simpatizantes se expande na esteira da pulverização de candidatos sem força. Dessa maneira, Lula tende a ganhar um peso maior do que tem e os outros candidatos acabam ficando em segundo plano. A polarização se estabelece. Bolsonaro aparece como contraponto. E, assim, ficamos com esses dois nomes que fazem campanha nos extremos: Lula e Bolsonaro! Ambos lideram as vontades nessa pré-campanha.

PT em festa - Diante dos resultados, o PT está vibrando com a pesquisa Datafolha. Lula na frente. Mas o partido deverá fechar a cara mais adiante. Luiz Inácio não deverá ser aceito candidato pelo TSE. A conferir.

Mas vale - Em suma, o meu aplauso ao DataFolha e, em especial, ao Mauro Paulino, especialista respeitado, mas nem por isso imune a críticas. A meu ver, essa pesquisa do DataFolha induz a respostas que não corresponderão ao X da questão no dia 7 de outubro.

Pitacos de FHC - A ideia de FHC de sugerir Marina Silva como alternativa do Centrão parece fadada ao fracasso. Marina é uma santa. Ou parece. E santidade não combina com a real politik. O centro continua disperso. Há, ainda, a eventual entrada de Josué Gomes da Silva, o megaempresário dono da Coteminas. Teria ele forças para congregar outros protagonistas? Acho que não.

Um vulcão - Com um monumental aparelho tecnológico, olho para as profundezas de nosso território continental. E diviso o magma se formando, quilômetros abaixo da superfície, prestes a subir, devagar, para explodir o vulcão social. Caso seja eleito alguém com perfil radical, seja na direita ou na esquerda.

NV recorde - Nas pesquisas de tendências, o NV - Não Voto (abstenções, nulos e brancos) pode bater o recorde este ano, saltando da média de 30% para 40% a 45%. Indignação geral.

Mídias sociais nas campanhas - A sociedade mundial está interconectada com as mídias tecnológicas, que passaram a constituir o novo fenômeno da sociedade contemporânea. As redes sociais permitem a interatividade, a integração, a socialização do conhecimento e da cultura. Um chinês do outro lado do mundo e o nosso amigo vizinho, enfim, todos os povos podem comungar as mesmas ideias, ou divergir por meio das redes tecnológicas. Na campanha deste ano, as redes sociais serão utilizadas com bastante intensidade pelas campanhas, funcionando como uma ferramenta tecnológica de informação, formação de opinião e propaganda.

E o rádio e a TV? - A televisão e o rádio, até então os dois mais poderosos instrumentos da comunicação política, continuarão a ser extremamente importantes, particularmente em períodos de campanha, quando os candidatos disporão de maior tempo para discorrer e detalhar seus programas de governo. Os candidatos com tempo mais largo de exposição tenderão a apresentar um melhor desempenho do que candidatos com curtíssimo tempo. A depender, claro, da criatividade. Lembram-se do Enéas Carneiro, do PRONA? Enéas tinha curtíssimo tempo, suficiente para dizer algo telegráfico e arrematar com "meu nome é Enéas". O cacoete linguístico lhe deu notoriedade.

Mas não elegem - Embora benéficas no sentido de agitar as militâncias, animar as alas que trabalham pelos candidatos, as redes sociais não serão capazes, sozinhas, de eleger este ou aquele candidato. Darão suporte, servirão como âncora, subsidiarão candidatos com informações, ajudando-os a mostrar ideias, projetos e programas de governo. Mas não elegerão candidatos. Militâncias serão mobilizadas. Mas novos eleitores não conseguirão.

Campanha negativa - Há que se tomar muito cuidado com a expressão verbal e escrita nas campanhas das redes sociais. Ataques, xingamentos, palavras mal utilizadas, conceitos ultrapassados, afirmações machistas ou que agridam as pessoas, a par de fake news compartilhadas poderão animar militantes. Mas arriscam a queimar o nome de candidatos.

Big data - Dia desses li, na coluna do Fernando Reinach, no jornal O Estado de S. Paulo, uma análise da interessantíssima pesquisa The Effect Of Partisanship And Politica Advertising On Close Family Ties. No levantamento, um grupo de cientistas descobriu que, após a eleição de Trump, os jantares de Thanksgiving (O Dia de Ação de Graças americano), nas famílias em que existe discordância política, foram 38 minutos mais curtos que a média. Em 2016, na média, esses jantares duraram 4 horas e 28 minutos.

Descobrindo tudo - Os cientistas ainda identificaram quais os distritos eleitorais mais bombardeados por anúncios políticos antes da eleição. Quando pessoas desses distritos se encontraram semanas depois da eleição, os jantares foram ainda mais curtos. Com essa pesquisa, fica claro o quanto já se sabe sobre o comportamento dos consumidores e eleitores e em que pé está o uso da tecnologia. Até nos pormenores.

Sem segredos - Com Big Data, que tende a ter sua utilização ampliada e intensificada nos próximos anos, será possível conhecer informações muito privadas. Não haverá mais segredos. O uso de pesquisas tecnológicas e algoritmos deve identificar por inteiro o ser humano: vontades, expectativas, natureza, índole, desejos, locomoção. O Donald Trump, por exemplo, descobriu que seus eleitores mais conservadores queriam um muro separando EUA e México. Então ele bateu nessa tecla. (Não importa se o muro será realidade ou não). O que importa é o que o eleitor quer ouvir. As empresas estão utilizando amplamente essas técnicas para acertar seu alvo, o público de campanhas publicitárias e políticas.

Guerra e paz - Donald Trump e Kim Jong-un começaram a discutir suas desavenças. A primeira conversa foi a sós. O gordinho parecia desajeitado. Um peixe fora d'água. Os dois decidiram desnuclearizar a península coreana. O encontro paira sobre uma grave crise que ameaça a economia global. O G7 praticamente rompeu com Trump. Em jogo, cerca de US$ 500 bilhões. O ambiente na Casa Branca é o pior de todos os tempos. Brigas, dissensões, querelas, puxadas de tapete. E falta de comando. E nós, por aqui, sobreviveremos?

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