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Terça-feira, 17 de julho de 2018
A AMEAÇA DO “NÃO VOTO” 

As projeções apontam para a elevação do índice do NV (Não Voto - abstenções, votos nulos e brancos) na próxima eleição a um patamar acima de 40%. Recorde-se que o 2º turno da eleição para governo de Tocantins em junho registrou 51,83% de Não Voto.

Trata-se da indignação do eleitor em relação aos atores, métodos e processos da política. O eleitor protesta contra esse lamaçal da política, que parece indiferente ao clamor social por mudanças de comportamentos e atitudes. A principal arma do eleitor é o voto. Ora, se o cidadão não usa esse direito, de certa forma contribui para a manutenção do status quo e suas mazelas.

Eis o dilema: caso o NV assuma proporções grandiosas, a hipótese de mudança cai por terra, arrastada por ondas da mesmice, onde se enxergam as abomináveis práticas do fisiologismo (“é dando que se recebe”), do coronelismo (os currais eleitorais, do cabresto), do nepotismo (as engordas grupais), da estadania (o incremento da dependência social do Estado), do neo-sindicalismo peleguista (teias sindicais agarradas às mamas do Estado), a miríade de partidos pasteurizados etc.

A renovação política, bandeira da sociedade organizada, pode fracassar caso o eleitorado se distancie do processo eleitoral. É oportuno lembrar que o eleitor é peça fundamental no xadrez da política. Se não tentar dar um xeque no protagonista que busca se eleger, este acabará sendo empurrado para o altar da representação política por exércitos treinados nas trincheiras dos velhos costumes. Assim, a renovação nas molduras governativa e parlamentar não ocorrerá.

Calcula-se que a renovação no Parlamento seja de apenas 40% este ano, menor do que em pleitos do passado. A campanha mais curta – de 45 dias nas ruas e de 35 dias na mídia eleitoral – beneficiará os mais conhecidos e os de maiores recursos financeiros. (Antes a campanha tinha 90 dias de rua e 45 dias de programa eleitoral no rádio e TV).

O fato é que não se pode esperar mudança política por unilateral vontade dos parlamentares. Sem pressão da base, deputado e senador resistem a qualquer ideia de avançar e de mudar regras que os beneficiam. Não darão um tiro no pé. Por conseguinte, a reformulação da política carece de participação ativa do eleitor, que deve cobrar compromissos de seus candidatos e assim eliminar os cancros que corroem o corpo político.

A política não se renova porque não há, por parte dos representantes, desejo de mudá-la, simplesmente porque o eleitor ainda não jogou seu representante no carrossel das transformações. O pleito de outubro tende a encerrar a era do grande compadrio na política. Apenas uma hipótese. Não queremos garantir que isso necessariamente ocorrerá. Urge despertar e motivar a consciência cívica do cidadão. Toda a atenção deve se dar à bomba que ameaça a locomotiva: o Não Voto. Abstenções, votos nulos e brancos em demasia podem implodir nosso ainda incipiente sistema democrático.

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