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Sábado, 13 de julho de 2019
Humorizando a vida

No Tribunal do Júri, acontecem coisas interessantes. Conheci certo promotor público que vez por outra aprontava das suas, sem perder a seriedade e mantendo seu espírito de humor. Numa de suas atuações, consciente da insuficiência de provas para pedir a condenação do réu, resolveu brincar um pouco com o advogado de defesa, um seu ex-aluno do curso de direito.

O réu havia assassinado a golpes de faca peixeira um indiví-duo, após sofrer dura agressão dentro do seu próprio estabele-cimento. A defesa sustentava a tese de legítima defesa, alias uma grande peça oratória.

Finalizando suas argumentações a palavra fica com a Pro-motoria que dizia:

– O crime praticado por esse indivíduo foi dos mais chocan-tes. Foi um ato de tamanha barbárie superando até pessoas afeitas à brutalidade. Não satisfeito de haver dominado o seu desaafeto, o réu tomando-lhe a própria faca peixeira desferiu profundos golpes, dignos de um experiente açougueiro, quase retalhando completamente a vítima. E este ceifador de seres indefesos, para acalmar a sua fúria incontrolável, querendo se eximir de qualquer culpa, fez tal qual Herodes: lavou as mãos e fugiu calmamente para se livrar do flagrante.

O advogado de defesa, desde os tempos da faculdade era muito aplicado, exigente e não deixava passar em branco quais-quer gafes, quanto mais ouvir alguém cometer um erro bíblico. Não se deu conta, no entanto, da armadilha que o ex-professor havia lhe preparado, sabendo do seu incansável comportamento de fiscal das verdades históricas.

– Protesto, meritíssimo. O ilustre promotor acaba de cometer um erro bíblico. Dá-nos um atestado de total desconhecimento das Sagradas Escrituras e das verdades históricas imutáveis. Quem lavou as mãos foi Pilatos e não Herodes.

O promotor que estava falando para o conselho de sentença, quando teve sua fala cortada. Virou-se para o advogado de defesa de dedo em riste e gritou furioso:

– Doutor não foi esse nosso acordo. E vossa excelência ainda tem a petulância de dizer que Herodes nunca lavou as mãos em toda sua vida.

Para desespero do jovem advogado, o réu foi condenado. O conselho entendeu estar a defesa em conchavo com a Promotoria. Nas pequenas coisas sempre existe uma reflexão e uma decisão a ser tomada. Assim é a vida!

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