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Boa Vista - RR, Quinta-feira, 23 de maio de 2019

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Domingo, 19 de maio de 2019
SEM NAMORADO E SEM RECADO

Ele entrou em casa, vindo do trabalho, tirou o CD da embalagem e mandou vê. Música bonita! A cantora era a Joana e dizia: “Mandei um recado pro meu namorado / Nos classificados de um grande jornal (...) Meu namorado é um sujeito ocupado / Não manda notícias nem dá um sinal / Eu ando meio com medo / Que um dia ainda ache a tristeza normal...”.

Ele está lá esparramado na poltrona sem dá a mínima pra sua mulher. Claro, ela ouvia tudo aquilo e ficou meio desconfiada. Já vinha assim há algum tempo. E perguntou meio zangada: “Meu filho, chegou meio descompensado e roendo muito por alguém, ou está me querendo fazer ciúmes?”

Ele sobressaltou-se da poltrona e perguntou: “Falou, amor? O que foi? Não ouvi direito e som estava meio alto”. – Pediu desculpa e foi atender a mulher, aproveitar e fazer um carinho pra disfarçar. Então começou o fuzuê. Ele querendo justificar pelo seu cansaço de trabalho e ela sem engolir nenhuma de suas justificativas esfarrapadas.

– Fique tranquila, meu amor! Isso foi um presente que ganhei e achei muito bonita essa música. Eu não conhecia essa cantora. – Tentava justificar e embora ela insistisse sobre quem havia lhe dado o CD. “Essa sua conversa não está batendo bem. Eu conheço as suas artimanhas, sobretudo pelo lado amoroso”.

Ele tirou o CD, guardou. No entanto, a mulher ficou com a pulga atrás da orelha: “eu vou descobrir o que você esse sem vergonha tá aprontando. Eu já vinha desconfiando há muito que tem rabo de saia nesse pasto, ou melhor, tem uma vaca”. – Alguém já tinha lhe contado algumas coisas, não muito graves, mas que ela associou com as noitadas, a pressa para sair de casa, os cochichos ao telefone. A coisa foi se avolumando.

O fato é que ele estava incontrolável e tomado por uma saudade danada. Era demasiadamente forte, embora fizesse o possível para não transparecer e sempre evitando conversar e olhar diretamente para sua mulher.

Resolveu adotar uma outra postura, mesmo porque sua mulher não gostava de brigar, mas manter o casamento na mais profunda harmonia com o marido! E os filhos. – Pra esfriar os ânimos ele chamou: “Amor vamos aproveitar e dar uma volta pela cidade. Arrume as crianças e vamos nos divertir. Deixa essa coisas irrelevantes pra lá”. Convite aceito. Tudo calmo.

Entretanto, quem ama tem os seus subterfúgios para manter o equilíbrio. Enquanto ele estava trocando de roupa, ela pegou o CD e o colocou na bolsa. Não sabia quem era a sua concorrente. Quando atravessava o rio sobre uma ponte, disfarçadamente jogou o CD na correnteza.

Dia seguinte, quando ele chega em casa, põe um drink e procura o bendito CD e não o encontra: “Amor, você escondeu o CD da cantora Joana? Por que?” – Ela foi enfática: “Não, eu fiz uma doação aos peixes lá do rio, porque tenho certeza que tem alguns deles que não estão recebendo recados e, além do mais eles não leem jornal”.

O tempo fechou entre os dois. A confusão continuou em casa. Não se separaram, mas abalaram as estruturas de casamento até conseguirem se acertar novamente, mas sem recados. São coisas da vida!

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