Segunda-feira, 25 de setembro de 2017
O buraco e mais embaixo


Não pensem besteira.
Imoralidade é tudo aquilo que
não se entendia no passado e hoje
se vê passivamente sentado na sala
com a família vendo uma novela ou filme.

O MUNDO VAI se estreitando. O buraco da fechadura deixou de exercer aquele fascínio para os voyeurs. Não sentem mais excitação ao observar um ato sexual praticado por outros. Não se entusiasmam ao ver as genitálias alheias. A Internet com seus sites pornôs e a televisão com suas novelas sensuais, libidinosas e programas interativos mostrando tudo, mudam até os conceitos de moralidade, do permitido, do proibido.

A sociedade conservadora e de conceitos inquebrantáveis reprimia o despertar do desejo, da libido sexual. Hoje não mais açoita, nem assusta ninguém. Antigamente essa conduta era perniciosa à moral. A molecada desafiava esses conceitos, para descobrir a sexualidade. Doces lembranças daqueles momentos! Quem não as tem? Mesmo sob as ameaças de estar cometendo um pecado mortal, a meninada encorajava-se a arriscar um olho no buraco da fechadura ou da parede de tijolos carcomidos pelo salitre, para olhar alguém tomando banho.

Assim começava o desabrochar da libido, essa coisa gostosa a nos mostrar outro mundo. Não entendíamos nada a respeito, mas dava uma alegria bem diferente. Era a descoberta do sexo. Os moleques mais instruídos faziam questão de ensinar aos neófitos os segredos embrionários.

O buraco da fechadura ou da parede não eram mais suficientes. Não havia revistas de mulheres peladas. As que existiam eram proibidas e vendidas aos adultos às escondidas. Seria um eterno paraíso para a molecada se uma daquelas publicações caísse no seu domínio.

O gosto pelo pecado exercia em nós uma atração imensa. Entretanto, na nossa inocência tínhamos certeza, bastaria recorrer aos pés do confessionário, com aquela choramingada expressão: – Padre! Eu pequei olhando, pelo buraco da fechadura, a minha prima tomar banho... Quantas e quantas vezes éramos forçados a contar todos os pequenos pecados que nem sabíamos o que era.

O padre era severo nas penitências para esses pecados gostosos, principalmente quando algum moleque lhe contava haver se masturbado olhando escondido a vizinha tomar banho pelada no quintal. Ou mesmo alimentar hábitos demorados no banheiro, pensando naquela garotinha que se estava namorando, sem que ela soubesse. Tempos diferentes, enigmáticos, mágicos, criativos, em nada comparado com a atualidade.

Aquele nosso tempo não é diferente daquela piada do moleque sozinho em casa. Pega uma revista Playboy e se manda para o banheiro. Leva consigo um copo com água e um sonrisal. A intenção era se masturbar, pelar o franco, esfolar o francês. Abre a revista folheando-a com voracidade. Dezenas de mulheres nuas, cada uma mais bela e gostosa que a outra. Imediatamente joga o sonrisal dentro do copo d’água. No seu entusiasmo inocente, chegando quase ao auge do gozo, vai dizendo:
– Ah! Isso é que é vida. Mulheres! Sexo! – Pega de sonrisal diluído e bebe – E esse delicioso champaaanheeee!

Ah! Hoje a imaginação quase não existe. O avanço da civilização derrubou todos os velhos conceitos. A educação sexual está presente no dia-a-dia dos nossos filhos. Há momentos em que a liberdade chega a se confundir com libertinagem. O avanço da tecnologia, a globalização, amplia esse buraco de fechadura, para que a voyeurismo seja comum a todo ser humano.

A Internet, além da sua grande utilidade, serviu também para os maus intencionados extravasarem a libido sexual de todas as maneiras, páginas eróticas, estimulando no dia-a-dia o sexo virtual. Hoje ela continua sendo um local privilegiado para o acesso a tudo ligado ao sexo. Os apelos sexuais são irresistíveis. A televisão interativa ampliou o buraco da fechadura.

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