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Quarta-feira, 01 de junho de 2016
A CAMINHO DAS ESTRELAS

CONCLUÍDA a reunião da cúpula partidária, o repórter Ricardo Feitosa – antenado com os fatos da política – entrevista alguns figurões que fizeram parte do encontro. Um deles é o deputado Constâncio Rabelo, figura polêmica que estava sempre próximo ao poder, usufruindo suas benesses.

Constâncio! Um falastrão, demagogo e arrivista. Sempre encontrava um meio de fugir às investidas dos repórteres. Raro o momento em que não se mostrasse um gozador. Sabia como ninguém se aproveitar do mandato de deputado federal que exercia há mais de 12 anos consecutivos. Feitosa, ao avistar o parlamentar que sai às pressas da sala, aborda-o.

– Deputado Constâncio, uma palavrinha, por favor. – Imediatamente o parlamentar esquivou. – O senhor vai fugir sem dizer nada sobre o que foi discutido? – O deputado Constâncio para e caminha em direção ao repórter.

– Ora! Ricardo, você me pediu uma palavrinha. A que me veio à mente foi o NÃO, existem menores, é claro. – Disse isso, ostentando um riso debochado. – É apenas uma brincadeira pra descontrair. Você sabe que nunca fujo da imprensa, essa grande dama de quadro olhos que tudo vê.

– O senhor vai permanecer firme no seu partido, ou vai trocar de legenda, como tem feito nas campanhas anteriores?

– Veja bem, na política, como na família, a gente tem de estar unido para alcançar o sucesso. Há algumas semanas havia pensado nisso. Entretanto, o partido conseguiu atrair grandes quadros, e isso me deixa numa posição cômoda e com mais espaço. Como disse o nosso saudoso imperador, num momento de lucidez e destemor: “diga ao povo que fico!” – E o repórter Feitosa insiste.

– Em nossa última conversa, o senhor disse reunir as melhores condições para disputar a sucessão estadual ou uma vaga no Senado. Continua sustentando essa convicção? Não acha que seria melhor deixar que outros dissessem?

– Meu caro, Ricardo, um grande filósofo já disse: “se não valorizas o que fazes quem valorizará?” Eu tenho de ser o primeiro a reconhecer o meu valor, e minha folha de serviços assim me recomenda. – O repórter não se contenta e pergunta.

– Afinal, se o senhor não é candidato à reeleição, qual o cargo que disputará?

– Os quadros ainda não estão definidos. Estou costurando um acordo para sair candidato ao Senado da República. Você é um rapaz inteligente e sabe que na política como na vida nós temos que alçar voos mais altos. Como deputado federal já provei meu valor. Cumpri minha função, trabalhando muito em prol do povo do meu estado. – O repórter insiste.

– Permita-me uma observação: o que o senhor fez muito, até hoje, foi viajar. Conhece quase uma centena de países, principalmente os mais importantes do planeta. De concreto e objetivo, não temos conhecimento de coisa alguma...

O parlamentar retomando a palavra afirma categórico ao repórter Ricardo Feitosa.

– Quem me conhece e acompanha meu trabalho, sabe que fiz muito pelo social, pela agricultura, educação. Em todos os momentos marquei presença e estive ao lado do povo em todas as lutas. Não preciso provar nada.

– Deputado Constâncio, digamos que o senhor saia mesmo candidato ao Senado, quais as propostas que o senhor vai levar ao seu eleitorado?

– Vou trabalhar muito mais do que tenho feito pelo povo. Afinal estou a serviço do meu partido e disposto a tudo. Eu sou um escravo da política e só vivo para o meu povo. Muitos não entendem assim, mas é isso mesmo.

– Não é bem assim que a oposição vê o senhor. Dizem que se o senhor eleito senador, seu mandato seria espacial, isto é, o senhor iria copiar o milionário americano Dennis Tito, o primeiro turista espacial que passou uma semana em órbita em torno da terra!” – O parlamentar respira e afirma que a oposição não sabe de nada.

– Quer dizer então, que o senhor seria um senador astronauta? – Pergunta ardilosamente o jornalista Ricardo Feitosa, para ouvir uma resposta segura do deputado Constâncio.

– Com muito orgulho, meu caro, voando em busca da grande luz. Nada é difícil, afinal o Brasil faz parte do projeto de construção da Estação Espacial Internacional, e nós que fazemos o Congresso temos todo o interesse de saber como as coisas andam lá pelo espaço.

– E isso será muito importante para seu estado? – Pergunta Ricardo em tom provocativo.

– Com certeza, meu rapaz. Pelo meu estado vou até à qualquer planeta. E fique sabendo, fazemos parte do futuro, se é que você não notou ainda. Estou à disposição para mais essa grande missão, caso ela venha acontecer.

 Gonzaga de Andrade

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