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Terça-feira, 21 de junho de 2016
A OCASIÃO FAZ O LADRÃO

Há casos que não podemos deixar sem registro, tanto pelo aspecto hilário, como pela surpresa arrebatadora que deixa a pessoa completamente desconsertada. A professora Mariângela manda-me um e-mail narrando uma dessas façanhas acontecida com uma senhora que chamaremos aqui de dona Francisca Amerlinda Araújo.

Uma altiva e recatada senhora, cuja elegância acompanhava-a onde quer que fosse. As poucas joias que tinha usava-as quando ia às compras e se vestia com o que possuía de melhor. Presentes dos filhos.

Final de mês, dia especial, aprontou-se toda para ir ao banco receber o dinheiro de sua aposentadoria. Tempo meio frio, ameaçando chover, usou o que tinha de mais elegante para aquela ocasião, inclusive uma sombrinha inglesa com cabo de madrepérola. Presente da filha Cristina.

Sacou o dinheiro e resolveu ir ao shopping fazer umas pequenas compras. Passarelas bastante movimentadas, quando de repente choca-se com um jovem que vinha em sentido contrário e apressado. No choque, os pequenos pacotes que conduzia espalharam-se pelo chão. O rapaz imediatamente tratou de ajudá-la, pedindo mil desculpas.

Detalhista, ela olhou bem naquele jovem. Aparentemente, viu tratar-se de pessoa de boa índole e não acreditava que havia sido algo proposital. Recompondo-se do momento vexatório, ambos seguiram caminhos opostos. À medida que dona Francisca caminhava consultava se estava lhe faltando alguma coisa, principalmente o dinheiro da aposentadoria.

Não demorou muito para sentir falta do seu precioso Rolex, presente do filho Eduardo. Fora roubada. “Eis o motivo do encontrão”, pensou. Virou-se e viu lá adiante o rapaz com o qual havia se chocado. Sempre, foi uma pessoa muito equilibrada e procurou manter o controle.

Estava pasma com a ação ousada do moço elegante e educado que se chocou com ela apenas para lhe roubar o relógio. Instintivamente, começou a caminhar em direção ao elegante ladrão, que embora apressado, caminhava com tranquilidade. Foi quando ela notou o moço levantar o pulso, consultando as horas ou talvez avaliando o produto do seu roubo. Foi o bastante para deixá-la irritada.

À medida que se aproximava dele, dona Francisca pensava em como recuperar o seu relógio Rolex, uma joia preciosa e caríssima. Não iria perdê-la assim. Pensou em chamar a polícia, mas procurou evitar o escândalo. Seria constrangedor para ela, uma senhora idosa e bastante conhecida.

Fez menção de chamar um policial que passava do outro lado, mas recuou da ideia e pensou em ser mais criativa, como nos filmes de ação que sempre gostava de assistir. Afinal, a surpresa é quase sempre a certeza de sucesso nesses casos.

Já nos calcanhares do seu elegante salteador e já colada no rapaz, segurou sua sombrinha inglesa pelo meio e encostou a ponta nas costas do rapaz, ao mesmo tempo em que falava com a voz firme:

– Não se vire. Continue caminhando e me passe o relógio. – Pressionou mais a ponta da sombrinha nas costas do rapaz, ordenando firme: – Passe o relógio, urgente e não olhe para trás. Vamos!

O moço não teve alternativa. Tirou o relógio do pulso e o entregou. Ao mesmo tempo em que ouvia uma voz de advertência: – Continue caminhando sem olhar para trás. A menos que deseje levar um tiro no traseiro.

O rapaz foi embora apressado e dona Francisca surpresa com o sucesso de sua ousadia. Verificou tratar-se realmente do seu relógio de estimação. Meio trêmula, entrou num táxi, foi direto para casa. Estava satisfeita por ter recuperado seu precioso relógio.

Antes de tomar um calmante e refeita daquela tensão, foi ao quarto para colocar seu querido Rolex no estojo e tomar um calmante. Tomou o estojo sobre o móvel, ao abri-lo o susto foi muito maior: olhos esbugalhados, pálida e as mãos ainda mais trêmulas, dentro do estojo estava o seu Rolex que julgava ter sido roubado pelo rapaz.

Na pressa de sair de casa havia esquecido de colocá-lo no pulso. Agora, estava encrencada. Havia cometido um assalto. Passou bom tempo na expectativa de alguém prestar uma queixa na polícia, seria a chance dela se retratar e desfazer o terrível engano. Nunca conseguiu!

Gonzaga de Andrade

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