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Terça-feira, 16 de agosto de 2016
HISTÓRIAS DE BOTECO: TIPOS DE BÊBADOS

A bebida é capaz de promover distúrbios alucinatórios extraordinários na mente das pessoas, sobretudo aquelas que não têm controle da dosagem de álcool ingerida e vão além da capacidade metabólica do organismo.

Estamos falando de bebidas comuns. Há casos de embriaguez com bebidas exóticas como o pajuarú que é feita pelos índios à base de mandioca, milho ou batata. Tal bebida tem propriedade alucinógena, como diz o meu amigo Ceará e confirmado pelo caboclo Joel: “ela deixa o cabra completamente doido. Tem cabra que quando bebe aquele negócio vira bicho”. Depois a gente volta a falar sobre isso.

Os bêbados comuns são muitos: os engraçados, turrões, chatos, os CHORÕES. Um dos piores é RASGA-FRONHA que insiste em fazer do nosso ombro um travesseiro. O POLÍTICO também é interessante: bebe para resolver todos os problemas do país. Não lhe falta discurso é sempre candidato a altos cargos eletivos. Interessante, há alguém muito mais bêbado que apoia e aplaude. Há também o bêbado EMPÁTICO, sempre bondoso e solidário, é pau pra toda obra. O CONQUISTADOR é uma graça, não tem consciência dos seus limites, sempre tentando conquistar a mulher dos outros.

O pior de todos é o valente, quando está sóbrio é uma seda. A qualquer momento está desacatando alguém, chamando-o pra porrada, e sempre diz que é autoridade. Comumente encara os outros e diz:

– O que tá olhando... Sabe com quem tu tá falando...

O tipo que não incomoda é o DORMINHOCO, qualquer lugar lhe serve de cama, bastando chegar ao limite da manguaça. Tem ainda o BÊBADO FISCAL. Entra mudo no boteco e sai calado. Não se manifesta, não participa de nada e fica o tempo todo, de copo na mão, só observando.

Voltando à questão do pajuaru, Ceará conta um episódio do qual participou, quando trabalhava num canteiro de obras da Camargo Correia, em Roraima. Uma noite, chega ao alojamento e estranhou que todos os trabalhadores estavam no pátio. Perguntou o que estava havendo e ficou sabendo que um peão apelidado de Arnaldo Pangaré estava doido querendo matar à dentadas e unhas quem se atrevesse entrar. O elemento havia ido próximo à Missão Catrimani e lá numa das malocas tomou umas doses de pajuarú. O efeito alucinógeno da bebida foi rápido e quando chegou no alojamento cismou que era uma onça pintada.

– Homem, eu não vou ficar aqui feito besta esperando que esse doido se acalme. – E foi entrando. Quando se deparou com o bêbado-onça de cócoras num canto de parede. Os olhos pareciam duas tochas de fogo. Ceará perguntou:

– Ei, Pangaré o que é qui tá havendo, rapaz.

O elemento nada respondeu. Partiu para cima ringindo os dentes. Derrubou-o e pulou na sua perna querendo mordê-lo. Ceará não teve alternativa, pegou sua faca peixeira e começou e começou a revidar aos ataques da onça pintada humana.

Foram uns 5 minutos de luta, até acertou o peito do animal que soltou um berro e correu na direção da porta, Ceará ainda teve tempo de riscar as costas do bicho com a faca, na hora em que ele arrombava a porta, correndo para o pátio.

Sumiu sem direção para a mata e veio aparecer dois dias depois, com cara de cachorro que cagou dentro de casa sem entender o que diabos tinha acontecido.

Gonzaga de Andrade

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