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Sexta-feira, 09 de setembro de 2016
HISTÓRIAS DE BOTECO: O CORDÃO MISTERIOSO

A vida de garimpeiro é uma eterna fantasia. Tudo que se consegue é gasto com farras, mulheres, amigos, na falsa certeza de que o filão encontrado jamais se acabará. Conheci tal Zé Bento que disse ter parado na hora certa. Do pouco que lhe restou fez bom uso e como lembrança daquele tempo, pegou alguns gramas de ouro e mandou fazer um lindo cordão. A jóia era admirada por todos que a viam pendurada no pescoço do orgulhoso ex-garimpeiro.

Certo dia Zé foi alvo de malandros que no conheciam e vinham estudando uma maneira de tirar dinheiro do ex-garimpeiro. Mandaram fazer um cordão do mesmo formato com um metal barato e banhado a ouro, para ser trocado pelo legítimo. O problema era trocar os cordões.

O ex-garimpeiro estava numa animada roda de bate-papo, com os amigos num boteco. Foi a ocasião perfeita. Um sujeito aproximou-se, procurando uma maneira de entrar na conversa. Como falavam sobre garimpo, não foi difícil. O golpista conseguiu chamar a atenção e entrou na roda e se dizia bom conhecedor de ouro e questionou a legitimidade do belíssimo cordão.

– Meu amigo, sinto muito, mas quem lhe vendeu esse cordão dizendo ser de ouro conseguiu enganar você direitinho!

– Cidadão, este cordão ninguém me vendeu, eu mandei um amigo fazer. Você só pode estar doido! – Respondeu Zé de Bento. Aquela era a melhor lembrança do garimpo.

O malandro estava certo que havia dado a investida fatal. Conseguira tirar sua vítima do sério. Aproveitou a deixa e pediu para analisar o cordão. O ex-garimpeiro caiu na besteira de entregar a joia ao malandro que numa fração de segundos fez feita a troca. Depois de olhar atentamente a peça, devolveu-a ao mesmo tempo em que fez um desafio:

– Eu aposto o que você quiser como isso aí não é ouro. – O ex-garimpeiro seguro de si, topou a parada e cantou a aposta.

– Eu ainda tenho aqui cerca de 50 gramas de ouro. Vamos valer. – Zé de Bento arrastou imediatamente do bolso um pequeno pacote e mostrou, crente que ia ser a aposta mais fácil de sua vida. Foram em busca de ourives que foi categórico em afirmar que era uma peça, apenas, banhada a ouro.

Foi um choque para o ex-garimpeiro. Outros dois profissionais disseram o mesmo. A vítima do esbulho, além de pagar a aposta, perdeu o cordão verdadeiro.

O malandro foi embora satisfeito comemorando o seu feito, até que outro dia resolveu aplicar mais um golpe no otário. E combinou com um comparsa para fazer o modo inverso. Desta vez entregaria o cordão verdadeiro ao dono, não antes de garantir uma gorda aposta. Dito e feito. Na segunda investida, conforme o combinado, o outro malandro insistia que o cordão de Zé era de ouro puro. Evidentemente que o dono comentava.

– Que nada, amigo! Eu também pensava assim. Outro dia inventei de apostar com um cara e terminei perdendo. Infelizmente fui enganado pelo cara que contratei para fazer esse cordão.

O malandro se dizia bom conhecedor de ouro e insistia em olhar melhor a peça. Ao entregar o cordão para que o indivíduo examinasse, a troca foi feita com a rapidez própria dos batedores de carteira. Sem saber, o ex-garimpeiro estava com o verdadeiro cordão, colocando no pescoço. O cara não perdeu tempo.

– Amigo, eu conheço ouro à distância. E aposto o que você quiser como esse seu cordão é ouro puro! Novamente o ex-garimpeiro topou a aposta e perdeu. Os mesmos especialistas foram unânimes: “esse sim é ouro puro e da melhor qualidade”. O dono do cordão não entendia mais nada, tudo era um grande mistério.

Outro dia, na fila do banco, alguém se admirou ao ver a bela joia no pescoço dele. Ao lhe perguntar se era ouro, fechando o colarinho da camisa, Zé respondeu imediatamente:

– Nossa! Nem é bom falar. Isso aqui é um mistério danado! Tem hora que é ouro, tem hora que não! Não gosto nem de pensar e nem venha falar em apostar comigo que eu não aceito. – Rapidamente ele retirou-se da fila e foi embora!

Gonzaga de Andrade

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