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Sábado, 05 de novembro de 2016
ARRE ÉGUA

Existem pessoas que são perseguidas pela sorte. É sorte na vida, na loteria, no amor, no trabalho, sorte até quando não desejam ter sorte. Ao contrário desses, há aqueles banidos pela sorte. Nada ganham, nada conquistam a não ser à custa de muito sacrifício e trabalho. Todas as probabilidades lhes são tremendamente adversas. Por mais que reclamem, lamentem nada muda. Aliás, quem vive a desfiar um rosário de misérias lamentando-se só conseguirá atrair para si forças negativas.

Conheci uma pessoa assim. Tuquinha – apelido que lhe veio da infância – era assim que o chamávamos. Aos 39 anos de idade não acreditava nessa tal sorte. Nada de jogos, apostas, coisa alguma. Tinha a plena convicção que essa coisa de sorte não existe. Jamais aconteceriam com ele. Sua crença era o trabalho. O desafortunado Tuquinha era um pessimista de marca maior.

– Eu sou muito azarado! Tenho certeza que se eu for concorrer a um sorteio comigo mesmo, sairei perdendo. – Ainda bem que tenho bons amigos.

Era o desabafo de uma pessoa desencantada. Realmente, era um sujeito bastante admirado por todos. Descontando-se suas horas de pessimismo e mau humor, face aos atropelos que a vida lhe reservava, tudo era uma festa só, aonde quer que ele fosse.

Nas confraternizações de final de ano, a empresa onde trabalhávamos promovia sorteio de brindes entre seus inúmeros funcionários. Nunca, em seus quase 10 anos de trabalho ganhou coisa alguma, o que era motivo de lamentações que chegava a constranger todos nós, seus amigos mais íntimos.

Sempre fazíamos questão de ajudá-lo no possível. Ao menos essa sorte ele tinha a seu favor. Houve um final de ano que nós resolvemos quebrar o encanto daquele feitiço.

Um final de semana antes da confraternização costumeira na firma, resolvemos comprar um presente para o amigo. Como ele se queixava da falta de um transporte, fizemos uma cota e compramos uma moto de 50 cilindradas. Para que ele não desconfiasse da armação, o chefe fez mandou pregar um aviso no quadro, comunicando que, pelo bom desempenho de todos a empresa estava doando uma moto para ser sorteada entre todos os 38 funcionários.

Quando nosso amigo tomou conhecimento do tal aviso, foi logo dizendo: “Oh! Meu, eu tô fora dessa coisa de sorteio. Nem me botem na lista”.

A gritaria foi geral. Todos insistiam. Só participariam se ele também concorresse. Finalmente conseguiram quebrar a resistência do amigo azarão. O sorteio foi marcado para o final do expediente do sábado, ao meio dia. Seria feita uma rifa simples, uma senha dupla numerada. Numa clara escolha de protesto, ele escolheu logo o número 13.

– Eu não vou ganhar mesmo. Esse tá bom.

Nada poderia sair errado. Como todos haviam combinado, as 37 senhas do sorteio foram trocadas pelo número 13. Por falta de uma urna as senhas foram colocadas no chapéu de um colega de trabalho. A sorte estava lançada e dessa vez tinha-se a certeza de que o encanto maligno seria quebrado.

Chamado a tirar uma senha, Tuquinha misturou tudo e tirou o número da sorte. Desenrolou-o e gritou: – O sortudo é o 44.

Surpresa geral! O nosso azarado amigo na hora em que misturou os papelotes, conseguiu arrancar a etiqueta numérica do chapéu. Claro que foi realizado outro sorteio imediatamente e ele mesmo tira outro papel, desenrola-o, para um instante e grita:

– Eu não acredito gente! Sai pra lá azar! Eu ganhei, ganhei. É 13. Arre égua!!!

Gonzaga de Andrade

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