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Quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
CHIQUINHO ESPERTEZA

QUEM É VIVO sempre aparece... nas horas mais impróprias! Assim Chiquinho Araújo – Esperteza – como é conhecido – recebeu-me em sua chácara em João pessoa. Havia uns 3 anos que o tinha visto. Sabendo estar morando naquele pedaço paradisíaco do litoral paraibano, resolvi fazer-lhe uma visita, pra ver se conseguíamos acertar uma velha pendência financeira. Esperteza sempre deu a volta por cima. Homem inteligente, de fino trato, empreendedor, mesquinho e por consequência mau pagador. Era viciado em usar ditos populares, mas com outros sentidos quando conversava com qualquer pessoa.

Minha visita, apesar de cordial, tinha outro sentido. Quando toquei no assunto ele arremeteu ao passado, foi logo acrescentando: – Amigo Gonzaga, “quem dá aos pobres... adeus!” – E desandava a rir, para dizer ao final que estava sem dinheiro, mas feliz em me ver. Serviu-me um drinque, enquanto falava havia chegado até àquele estágio de quase rico e liso.

– Meu amigo, sabendo que “em terra de cego quem tem um olho vê cada coisa”, a primeira coisa que fiz foi me demitir daquele emprego chinfrim lá dos Diários Associados. Eu pensava comigo, “de onde menos se espera... é que não sai porra nenhuma”, e me lancei numa doideira, aproveitando a grana da indenização, fui negociar com importados. E me dei bem! Afinal, “quem não tem cão... não gasta dinheiro com veterinário”.

Para ele, a chave do sucesso é não se acomodar, porque “quem espera... senta e cansa”. E nos seus últimos dias de pobre, tinha muita conta a pagar, inclusive a mim. No entanto, dizia na maior cara de pau: “nunca se deve deixar para amanhã... o que se pode fazer depois de amanhã”. Foi assim que deixou todos os seus credores para trás e foi reconstruir sua vida. Um rolo ali, outro acolá, foi amealhando dinheiro, até entrar para o ramo de imóveis.

– Foi muito difícil, Gonzagão, mas eu sei que “quem ri por último... ou é surdo ou retardado”, antão lutei muito para me manter na dianteira, afinal “devagar... chega-se atrasado”. Foi o que fiz, sempre atentando para o fato de que “quem dá aos pobres... nunca sobe na vida”. Cá estou eu. Afinal “cautela e caldo de galinha não faz mal a ninguém... apenas à galinha”. – E caia na gargalhada.

Esperteza dizia que após muito padecer entendeu que “quem cedo madruga, não pega ônibus lotado”, por isso, no momento certo conseguiu dá a volta por cima, pois como ele mesmo dizia: “quem não arrisca... é porque não tem nada”. A vida está cheia de oportunidade e “os últimos serão os primeiros... a reclamar”.

Com aquele papo eu sentia que Esperteza iria fazer de tudo para não me pagar o que devia. Fazer o que? Afinal a amizade suplanta qualquer mesquinharia e como ele próprio dizia, “mais vale um na mão do que dois... no sutiã”.

Em tom de galhofa sugeria: – Meu amigo, “quem tudo quer... tudo pede”. Portanto estou à sua disposição, mas esteja ciente de que “águas passadas... não dão cólera”. E essa questão do dinheiro a gente ver mais tarde. Iremos acertar nossas contas, não agora, pois estou sem dinheiro. Mas é como digo, “antes tarde do que mais tarde”.

Terminamos aquele nosso encontro sem nos entender, apenas no trocadilho. A partir do momento em que insisti no resgate da dívida, ele afirmou com convicção que “quando um não quer... – imediatamente acrescentei – o outro insiste!” Desatamos a rir, afinal, foi o melhor remédio.

Gonzaga de Andrade

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