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Domingo, 15 de janeiro de 2017
COMO EVITAR?

1501 Buchada de bodeEle estava sumido há um ano. No Rei da Buchada de Bode – bar e restaurante tradicionalmente nordestino, onde se reunia uma eclética clientela, a pergunta era uma só: o que aconteceu com Candinho? Todos os sábados, ali era sua parada obrigatória.

O incorrigível Candinho fazia uma falta! Era um bom amigo, farrista de primeira, espirituoso e brincalhão, mas sumira sem deixar rastro. Diziam ter-se mudando para outra cidade. No entanto, naquele sábado, exatamente dia do seu aniversário de 30 anos, ele aparece com dois amigos. A surpresa foi grande e a algazarra ainda maior. Diacho, devia uma explicação sobre o seu desaparecimento.

A última vez que estivera no Rei da Buchada foi exatamente há um ano. Ao sair do bar, final de tarde, sua vida tomou outro rumo. Ia para casa, quando encontrou um velho amigo frequentador de Alcoólicos Anônimos, havia alguns anos. O amigo AA não perdeu a oportunidade de convidá-lo para uma reunião do seu grupo. Sabia que Candinho era um alcoólatra compulsivo e ainda iria tomar mais algumas até chegar em casa.

O amigo AA usou todos os argumentos para convencê-lo do mal que estava fazendo a si, à sua família, aos amigos. Candinho começou a refletir e num momento de sobriedade decidiu aceitar o convite. Estava bebendo além dos limites, mas topou.

Agora, lá estava ele de volta ao local de partida. Contou aos amigos os motivos de haver sumido. Enfim, havia parado de beber e há um ano ingressara no AA e vinha conseguindo se manter sóbrio. Não havia retornado mais ao Rei da Buchada e a outros bares para rever os ami-gos. Não se sentia seguro.
Naquele seu retorno estava sendo posto à prova. Estava visitando todos os bares e botecos que antes frequentava, para testar o seu autodomínio sobre a bebida. Foi sentar a uma mesa com os dois amigos e pediu uma buchada completa pra três pessoas.

– E para beber? – Perguntou o garçom – Três refrigerantes. – Resposta seca, imediata olhando a reação dos amigos.

Não demorou muito e lá vem o garçom trazendo a enorme bandeja repleta de panelas com buchada de bode, arroz e verduras. Foi depositando tudo à mesa e perguntando:

– Vai aquela pinga esperta, seu Candinho? – Os três se entreolha-ram, Candinho não disfarçava seu desejo porque engolira a seco por duas vezes e começava a suar frio. Era uma tortura.

– Tá legal! Já fomos a todos locais aonde eu bebia – justificava-se –, até agora sai ganhando, mas essa me pegou direitinho.

Era desconfortante a situação. O homem suava e tremia. Virando-se para o garçom, deu um tapa na mesa e falou:

–Tu és doido! Eu nunca vi se comer buchada tomando refrigeran-te. Traz um copo de pinga pra mim. Esse gole não vou evitar!

Gonzaga de Andrade

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