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Segunda-feira, 20 de março de 2017
VERDADE OU MENTIRA?


2003 cobragrandeFAZIA BASTANTE tempo que não encontrava o amigo Antônio Souza, locutor apresentador e animador, com um programa de larga audiência na Rádio Roraima de Caracaraí (RR). Estava chegando de uma viagem à localidade Serra Dourada, onde havia ido fazer uma entrevista com uma família que, onde dizem existir uma criança com 5 braços.

A despeito de tantos fatos e boatos, Souza resolveu criar em seu programa uma atração chamada “A hora da Mentira”. Recebia muitas cartas e aproveitava para selecionar os maiores mentirosos da região.

Profissional muito sério não mentia nem por procuração. Comentava que resolveu inventar a tal atração: “Meu amigo, isso é apenas pra gente se divertir. O povo anda muito sem graça, portanto vamos quebrar esse gelo”.

Há 4 anos mantinha seu programa matinal e com a nova atração sua audiência aumentou, graças aos mentirosos de plantão: pescadores, caçadores, vaqueiros, todos enfim. Centenas de histórias foram contadas e muitas até interessantes.

– Você precisa ouvir! Só histórias falando a respeito da cobra grande, como dizem existir no baixo Rio Branco, já apareceram umas dez. Tem cara que escreveu ao meu programa garantindo que ela virou seu barco de pesca, perto de Santa Maria do Boiaçu, extremo sul de Roraima. Disse que a cobra é mais larga que um tonel de 200 litros, tem olhos vermelhos como fogo.

São histórias de mentirosos anônimos, buscando ao menos pisar um degrauzinho da imensa escada da fama. São coisas interessantes. Outro dia, conversando com o ambientalista Gilberto Marcelino, ex-secretário de Meio Ambiente do Município, sobre as incríveis histórias envolvendo a rica fauna do Rio Branco, ele disse que um pescador afirmava existir jacaré-açú de 15 metros no baixo Rio Branco e Negro. Como em roda de bate-papo de pescador ou caçador não se deve desmentir nada – duvidar levemente, pode –, Marcelino disse ter achado um exagero. Entretanto, imediatamente um velho pescador que ouvia tudo bem calado, tomando sua pinga num canto do balcão, falou: “De 15 não, mas de 9 metros eu já vi”.

Mentira e verdade estão mais próximas do que se imagina. São o verso e reverso da mesma moeda. De certa forma, podemos afirmar: a mentira é a verdade mostrada pelo avesso e só alcançada e melhor vista pelos olhos fantasiosos do seu narrador, dependendo da fertilidade mental, é claro.

Voltando à história do garoto de 5 braços, o nosso locutor disse não ter encontrado a família e a casa estava fechada. Dizem que a família esconde o garoto de uns 8 anos de idade e mora num sítio de difícil acesso. Nesse ínterim, chega um amigo que o Souza diz ter visto o garoto.

– Espere aí, não é bem assim. – advertiu o recém-chegado. – Ver a criança, eu não consegui. Quando passei por lá a casa estava fechada. Mas no varal estavam estendidas, pelo menos, três camisas meio estranhas. Presumo serem do menino, porque elas tinham cinco mangas, cada uma.

Gonzaga de Andrade

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