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Quinta-feira, 13 de abril de 2017
O SALTO DA PERERECA

NUNCA estaremos livres dos imprevistos. Vez por outra somos de testemunhas de fatos ditos impossíveis. É o incrível aconte-cendo. Quando narramos fatos dessa natureza é comum alguém não acreditar, principalmente quando ditos em conversa de bo-teco.

Algo assim aconteceu no Chico’s Bar, localizado na ladeira da Paçoca no Ponto de Cem Reis. Um dos atrativos das manhãs e tardes do local era a famosa galinha caipira com cuscuz, bem ao gosto nordestino.

Um dos amigos passou uma boa temporada sem aparecer no local, depois que foi involuntariamente protagonista de uma cena hilariante, digna do melhor filme de comédia pastelão. No boteco, a turma tinha cadeira e mesa cativas bem na porta lateral onde se acessava por uma escada de alvenaria de quase dois metros.

Dali tínhamos uma excelente visão da rua e de todo o Ponto de Cem Reis, bastante movimentado. Como toda conversa de boteco, ali saiam coisas engraçadas. Falávamos sobre tudo, consertavam-se erros do mundo, decidíamos os rumos da política, da eco-nomia. Conversas comuns jogadas à mesa de bar. Algumas se aproveitavam outras não. Todavia são coisas animadas para matar o tempo e tornar a vida menos dura e desgastante.

Um daqueles dias aconteceu uma presepada protagonizada por um amigo. Ele próprio nos dizia – evidentemente com certa dose de humor e ao mesmo tempo constrangido. Ele degustava com os amigos um volumoso prato de galinha caipira com cuscuz. Por descuido ou gulodice, uma porção entrou no buraco errado, de forma que ele ia sufocando.

Disse que começou a tossir espalhando cuscuz e pedaços de car-ne. Nessa extravagância, a dentadura inferior cedeu e foi lançada fora. E para seu desespero sua agilidade não foi suficiente para segurá-la antes de chegar ao chão.

A perereca atingiu o solo, de forma que repicou passando por entre suas mãos quando ele havia se inclinado para resgatá-la, antes que alguém desse conta da cena de trapalhadas incríveis.

A trajetória da saltitante dentadura foi inesperada. Projetou-se porta a fora e – pasmem – bateu no primeiro batente, depois no degrau do meio da escada, até que foi se projetar na calçada. Na trajetória da dentadura saltitante, o desesperado amigo disse que tentava alcançá-la, a cena durou uns 10 segundos.

O grande problema foi uma dupla de cachorros que se encontra-vam lá em baixo, sempre esperando que alguém jogasse restos de ossos de galinha. Para eles um grande atrativo.

Os animais disputavam com avidez cada pedaço de petisco jo-gado escada abaixo. Ao verem aquela coisa saltitante, instinti-vamente partiram para a disputa. Antes de a perereca bater no chão da calçada, um dos animais deu um salto e a abocanhou.

Meu amigo, dono do mastigador, deu um grito para afastar os animais. Não adiantou! O cachorro que conseguiu pegar a den-tadura saiu correndo, levando parte do sorriso do meu amigo que corria desesperadamente para alcançá-lo. Foram momentos aflitivos, mas conseguiu, segundo ele, com a ajuda de um garoto que se dizia dono do animal, mas a preciosa perereca já faltando dois dentes. Menos mal, o prejuízo foi até pequeno.

Gonzaga de Andrade

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