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Segunda-feira, 24 de abril de 2017
DEPOIS DA PESCARIA, O VELÓRIO

FORMAVAM uma dupla perfeita. Adoravam farrear, pescar, caçar, criar novas amizades, ajudar qualquer pessoa necessitada, participar de campanhas em prol dos carentes. Juntos eram imbatíveis. Faziam qualquer pessoa se sentir bem.

Levavam a vida sempre na esportividade. Até os graves momentos eram amenizados pelo bom humor, marca indelével de suas personalidades, das quais emanava uma sinergia incomparável. De quase tudo faziam uma piada, às vezes até sem querer, tanto era a espontaneidade.

Ao longo dos anos e em suas andanças foram tantas as estripulias praticadas. Ainda hoje lembramos de muitas dessas histórias, quando falamos a respeito deles. Não se pode ter melhor definição dos perfis do doutor Aristeu Alinelson, promotor de Justiça aposentado e com grandes atuações no Tribunal do Júri, seu parceiro era o empresário João Nascimento. Duas figuras ímpares. São diversos causos engraçados protagonizados por ambos.

Contava Alinelson que, certa vez retornavam de uma pescaria e passando em uma rua da periferia da cidade viram diversas pessoas em frente a uma casa simples. Pararam o Jeep e cogitaram dar uma olhada para ver o acontecido. Convenceu o amigo Nascimento a dar uma olhada de perto. O panorama, segundo ele, estava mais para velório, tendo em vista o silêncio, a tristeza e o aspecto cabisbaixo do pessoal.

– Vamos até lá, Nascimento. De repente pode ter sido algum amigo nosso que morreu e esqueceu de nos avisar e não estamos sabendo. Não custa nada verificar.

Desceram do veículo e foram até à residência. Cautelosos, buscavam nas fisionomias alguém conhecido. Nada! Resolveram entrar na casa, em cuja sala velava-se uma pessoa do sexo masculino. Silenciosos, semblantes carregados para combinar com o ambiente lúgubre, foram entrando.

Aproximaram-se do caixão, a tampa estava aberta. Só assim conseguiriam ver o rosto do inditoso. Não se tratava de nenhum dos muitos amigos, mesmo assim acercaram-se de uma senhora vestida de preto, rosto bastante maltratado pelo choro contínuo. Presumiram ser a viúva. Falando baixinho e pesaroso, João cumprimentou a mulher e foi perguntando, quase num sussurro:

– Madame, desculpe, mas o finado morreu de qual doença?

– Não foi doença, não senhor. – Respondeu a mulher chorando. – Esse doído suicidou-se. Tomou vinte comprimidos de melhoral.

João olhou para Alinelson, que num gesto impulsivo, tocou na cabeça do defunto e disse já se preparando pra sair:

– Esse nunca mais vai ter dor de cabeça. Duvido! – Foi o suficiente para criar uma baita confusão e tiveram de sair às pressas antes da parentada do finado se dar conta do acontecido.

Gonzaga de Andrade

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