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2704 O GaloQuarta-feira, 26 de abril de 2017
Conversa de boteco:
primeiro nasceu a galinha ou o ovo?

Não há dúvidas: quem nasceu primeiro foi o galo. Nada de galinha ou ovo. Tudo muito simples, como diz um amigo – judeu brasileiro versado nas escrituras, cujo nome não vou revelar a pedido dele e que me foi apresentado pelo amigo e professor Ziomar –, tudo é uma questão de entendimento, como explicou certa feita num papo de boteco.

Segundo ele, tem que se saber ler nas entrelinhas. Depois do nascimento de Caim e Abel, Adão entregou-se à preguiça. As tarefas domésticas eram coisas só pra Eva que já estava entediada e resolveu apelar, segundo o meu amigo, ao todo poderoso.

– Senhor, não estou aguentando mais. O adão não me ajuda, principalmente com as crianças. Só dorme e acorda na hora do almoço e exigindo do bom e do melhor.

– E o que você quer que eu faça? – Eva pediu que o poderoso criasse alguma coisa que fizesse Adão acordar logo cedo da manhã, para ajudar nas atividades domésticas, principalmente na criação e educação dos dois rebentos. Queixas ouvidas, providências tomadas.

Dia seguinte, 6h da manhã, ela ouviu um canto repetido e estranho, até Adão acordou. E antes que reclamasse ouviu aquela voz celestial: – Eva, esse é o despertador para acordar o seu marido preguiçoso. Pode chama-lo de galo, símbolo do sol e, o mais importante, ele sabe falar e compreende tudo.

Assim, segundo o meu amigo, os dias transcorreram do jeito que a mulher queria. O galo cantava, Adão acordava. À noite o galo ficava só observando os folguedos do casal primogênito e sentiu falta de uma companhia. E abriu um canal de reclamação com o todo poderoso.

– Galo, agora é você! O que está acontecendo. – O galo foi direto ao assunto, dizendo que se sentia muito solitário e queria uma companheira. Pedido aceito. O galo dormiu e lhe foi tirada uma costela, da qual foi feita a sua companheira penosa, que só seria chamada de galinha muito tempo depois da traição feita ao galo. Isso é outra história.

Quando o galo acordou logo cedo da manhã, viu aquela penosa exuberante, de cantar meloso e arranhado. Cumpriu sua missão de despertador para acordar Adão e partiu para a conquista da sua companheira.

A penosa lá no quintal da casa, bicando aqui e ali, e o galo partiu para a conquista, buscando cumprir as suas tarefas de macho. Quando se aproximou, todo animado, uma das asas começou a arrastar no chão, fazendo-o rodopiar em torno da recém-chegada penosa. O galo sentiu dores e reclamou ao poderoso.

– Galo você está operado, é por isso que essa asa está arrastando. Tirei uma de suas costelas e fiz sua companheira. Pelo seu gesto apressado suas gerações de machos terão esse mesmo gesto de rodopiar para conquistar as suas penosas. – e ensinou ao galo como deveria fazer para conseguir acasalar.

O galo começou a ciscar e chamar sua companheira que veio corrente. E não deu outra: creu! A partir de então, a penosa começou a por ovos e mais ovos, até chegar naqueles dias insuportáveis do famoso choco, aproveitando o que sobrou de sua produção para gerar descendentes.

E assim foi! Não há outra explicação: primeiro veio o galo, depois a penosa que no futuro o galo a chamaria de galinha. Depois eu contarei. 

Gonzaga de Andrade

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