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Quinta-feira, 15 de junho de 2017
MEDIDOR DE PREGAS

O CIDADÃO ENTRA na loja especializada em instrumentos médicos e cirúrgicos, dirige-se ao balcão e pede ao atendente um medidor de pregas. O balconista tem um sobressalto ao ouvir o tal pedido. Achou a solicitação muito estranha e olhando para o freguês comentava para si:

– Um medidor de pregas! Mas que pregas? Já inventaram até isso! Nunca pensei que fosse preciso medir as pregas. Eles inventam tudo.

O tal balconista era um eletrotécnico, profissional encarregado da prestação de serviços externos em clínicas e hospitais para manutenção e conserto de equipamentos e naquele momento atendia no balcão da loja.

– O senhor quer um me-mediiidor de pregas? – Além de gago estava confuso sobre as tais pregas.

– Isso mesmo. Um medidor de pregas cutâneas. – Sua apreensão foi maior ainda. Por pouco não caiu na gargalhada. Parou um instante à frente do freguês, talvez querendo certificar-se da especialidade médica do cidadão. E concluiu que, pela natureza do instrumento procurado, ele poderia ser um proctologista.

O cidadão olhava-o com o ar severo. Parecia desconfiar não ter sido entendido. O gago estava ficando vermelho e a muito custo conseguia evitar o riso. Por nunca ter ouvido falar no tal medidor, pensou tratar-se de uma novidade no ramo de instrumentos médicos e cirúrgicos utilizados por médicos que tratam de hemorróidas.

– Os caras não têm mais o que inventar. Já têm até medidor pra essas coisas, eu não sabia”. – Comentava para si.

Antes do pior acontecer, saiu apressado para o fundo da loja à procura do tal medidor de pregas cutâneas. Estava quase à beira de uma crise de riso.

Uma pequena busca e finalmente encontrou o tal medidor de pregas cutâneas. Um instrumento de uns 15 centímetros de comprimento à semelhança de um triângulo isóscele – que tem 2 lados iguais. Pegou a peça, olhou detalhadamente e se perguntava como se fazia para medir as tais pregas com aquela coisa meio grotesca, numa região tão delicada. E voltou ao balcão:

– Prooon...ti...nho aqui ci...dadão, o tal me...me...didor... – Disse entregando a peça ao freguês que notou o jeito meio engraçado do gago. Não se contendo, olhou o atendente e perguntou.

– Você achou meio estranho esse aparelho? Nunca tinha visto um desses?

– Nun...ca! O senhor me me des...des...cuulpe, mas achei meio enn...gra...çado e fiquei pen...pensando como se mede as tais preeegas com essa coisa. E tam...bém, praaa que medir?

– Não, meu caro, isso não é pra medir as pregas que você está pensando. – Disse o cidadão com ares de riso. Com certeza estava havendo um desencontro de informações, e continuou:

– Não estamos pensando nas mesmas pregas. Esse aparelho a gente usa para medir a espessura da gordura abdominal dos pacientes em regime alimentar.

Com o dedo indicador e o polegar apertava a gordura, para mostrar uma prega cutânea e complementava:

– Com certeza, você estava pensando nas pregas anais, não é mesmo. O atendente gago caiu na gargalhada.

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