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Terça-feira, 27 de junho de 2017
PRESEPADA DE MENINO

São inesquecíveis as estripulias do tempo de criança. Afinal, a vida é uma aventura. Começa na infância e pode prolongar-se indefinidamente, cheia de alegrias ou transformada num drama ou pesadelo terrível. Poder lembrar-se dessa fase é gostoso. Tempo mágico! Etapa em que se é irresponsável com o futuro, mergulhado no eterno presente e descompromissado com o tempo contado de sol a sol e tendo por compasso apenas o roncar da barriga, quando se sentia fome.

Nada de conceitos ou preconceitos, discriminação. Pobreza ou riqueza, ontem ou amanhã, nada! Só o agora é que contava. Como não se pode voltar o tempo e tornar a ser criança, o melhor mesmo é relembrar aqueles momentos. Todavia, muitos existem que não gostam de relembrar nada da infância. Têm medo, vergonha, decepção, recalque ou sei lá o quê! Procuram fugir. Terrível engano. O passado é inapagável. Como diz o poeta paraibano, Chico Pedrosa, em seu poema Presepada de Menino: “Todo mundo vira santo,/ depois que chega a velhice,/ mas ninguém conta o que fez/ no tempo da meninice./ Eu conheço muita gente/ que inventou de ser crente/ depois de ter aprontado/ todo tipo de maldade,/ mas com medo da verdade/ tenta esconder o passado”.

Quem nunca aprontou uma presepada que lhe marcou para o resto da vida, não viveu a infância. Solte sua imaginação e volte ao tempo de criança. Veja-se às voltas com dezenas de brincadeiras divertidas com os colegas de sua rua. Lembre sua curiosidade em ouvir histórias mal-assombradas e depois ir dormir com medo de fantasmas que deixam o mundo de ultratumba e vêm povoar as noites e os sonhos de criança. Não se esqueça do tempo bom da escola, das dificuldades no aprender coisas novas e complicadas; da lição na ponta da língua; da tabuada que assustava e o recreio que alegrava, onde esquecíamos tudo e parecíamos donos do mundo.

Nessas estripulias de criança o trágico e o cômico estão presentes. Quer seja no quebrar da louça da tia e se livrar de uma surra; derramar o caldeirão de sopa quente e deixar todos sem o jantar; sentir a dor de queimadura com fogos em noites de São João. Não se pode esquecer de tantos tombos que levamos, quer caindo da bicicleta dentro de um vala de lama podre, arrancar a unha do dedão do pé quando jogava bola, esfolar o joelho, cair de cabeça no chão. E outras coisas mais.

Na época de criança essas coisas parecem trágicas, como apanha com corda molhada, levar cascudos, puxões de orelhas para que se seguisse à risca o que os pais recomendavam. No entanto, com o passar dos tempos achamos até engraçado todas essas lembranças. E hoje, parafraseando o poeta carioca Francisco Otaviano, com certeza podemos afirmar que não passamos pela vida em branca nuvem. E você será que está lendo essa crônica será que adormeceu em plácido repouso?

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