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Domingo, 5 de maio de 2019
PAPO DE BOTECO:
Quando beber não faz parte de sua vida

Ele nunca tinha bebido. Claro que havia ensaiado algumas vezes, mas achou uma coisa péssima e, desde jovem jogou essa ideia no lixo, embora continuasse, com os amigos, frequentando os lugares mais inusitados e, sempre molhando as palavras com refrigerante, água, suco. Amigos insistiam, mas não tinha jeito!

Como tudo na vida, as tentações vão e vêm quando menos se espera, para fazer com que se caia nas armadilhas etílicas. Assim foi com ele. Acreditei porque ele me contou como tudo aconteceu e, daquele dia pra cá nunca mais outra tentativa para entrar nesse mundo que ele chama de “sombrio e sem controle”.

Ele diz que tudo começou durante uma viagem a Milão, Itália, no começo da década de 1970. Recepcionado a todo instante pelos amigos, conhecendo vários restaurantes de qualidade. As conversas eram regadas a um delicioso Campari – bebida que se assemelha ao sabor da vida como dizem seus especialistas: “Doce no começo e amargo no fim”.

Não nego, fiquei tentado por aquela coisa que parecida deliciosa, além da conta. – Comenta lembrando que lhe dava água na boca quando o garçom fazia verter uma dose no copo dos amigos. Resistiu e resistiu, mesmo sabendo da genuidade do cara que havia inventado aquele tipo de bebida lá pelos idos de 1870: o Campari.

Retornou ao Brasil, mas não conseguia se livrar das imagens do Campari. Aquela coisa avermelhada e licorosa! Até sentia o sabor doce em sua boca. A cada dia, a coisa ficava mais séria. Até que ele viu uma propaganda na TV. Aquele líquido saindo com ímpeto de dentro da garrafa e para o copo. E à medida que se espalhava sobre o gelo, era depois agitado por duas rodelas de limão. “Que tortura, meu amigo!

– Diabos, aquilo era uma tentação. Eu Ficava salivando. – Disse que as imagens só faziam aguçar a sua imaginação. E lá mesmo no restaurante de um velho amigo resolveu provar a bebida e mandou colocar uma doze. Foi advertido: meu amigo, que invenção é essa? Você nunca bebeu nada que tenha álcool e, agora quer tomar uma doze de Campari!

Ele explicou a tentação para o amigo, desde que esteve em Milão, e que tinha de tirar aquela ideia da cabeça. O amigo concordou: “Se é assim, vou lhe servir uma doze, mas tenha cuidado, sei que coisa boa não vai ser!

Antes que fosse servido pelo anfitrião amigo, perguntou: Como se bebe essa coisa é do mesmo jeito que vi na TV e meu amigo na Itália? – Com gelo e limão, meu caro – Foi a resposta. Pegou o copo com todos os ingredientes e virou de uma só vez.

– Êta coisa ruim, dos diabos! – Ficou sem fôlego e começou a passar mal. Ajudado pelo amigo e garçons do hotel, teve um começo de desmaio, mas foi recuperado.

– Acredito que naquela hora morri e voltei, ao despertar o meu amigo estava me socorrendo e já tinha chegado até uma ambulância. O paramédico perguntou: “Outro?" - Consegui gritar: "quero essa porra nunca mais”. Todos se entreolharam: “ele está falando de Campari, respondeu o amigo.

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