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Sábado, 26 de maio de 2018
A RESSUREIÇÃO

A PROFESSORA Mariângela estava no pátio da casa da fazenda, um pequeno elevado, de forma que podia avistar a pequena planície à sua frente, aonde o gado pastava. Subitamente, um avião bimotor voando muito baixo, passando sobre a casa.

O aparelho fazia movimentos oscilatórios, o piloto havia perdido o controle. Pela precipitação da aeronave, ela imaginou que o piloto estivesse algum problema e tentava fazer um pouso de emergência. Não deu outra, foi em busca da planície, por pouco não atropelando os animais!

Mal o avião parou, a porta se abriu, um rapaz pulou e saiu correndo. Segundos outro também sai correndo. A professora não entendia coisa alguma. De repente sai um terceiro sujeito vestindo com uma roupa esquisita como uma mortalha. Sai correndo atrás dos dois, acenando e gritando. Tentava tirar a roupa esquisita. Uma cena meio maluca.

Todos vinham em direção à casa da fazenda. A professora correu em busca de ajuda. Não sabia o que fazer, quando ouviu gritos de socorro. Parou e reconheceu o homem moreno, estatura mediana, gordinho que vinha à frente. Era o piloto Zé Gregório, mais conhecido por Azeitona, logo atrás vinha o seu ajudante, o Mudinho.

– Socorro, professora... me ajude... – O cansaço lhe cortava a voz, mas ele insistia – É aquele... difunto! – Apontava para o homem que havia acabado de cair a alguns metros. Ela mandou buscar água para os recém-chegados e ordenou ao vaqueiro socorrer o terceiro homem caído, já seminu.

Passado o vexame, todos vão se recuperando, menos o terceiro homem, de uma palidez marmórea, parecia não ter uma gota de sangue. Até uma ambulância e um carro da polícia vinham chegando a pedido de um empregado da fazenda. Tudo foi esclarecido depois que o piloto contou sua história.

Azeitona disse que estava voando há quase uma hora, procedente de Jataí, sudeste do estado de Goiás, com destino a Goiânia. Para ele foram os piores 370 quilômetros de sua careira e isso para atender amigos. Afinal, ganhava a vida fazendo serviços de táxi aéreo.

A carga que conduzia o cadáver de um homem que havia morrido de uma doença misteriosa e o corpo deveria ser entregue à família na capital. O defunto vinha pronto para o enterro. E azeitona e o Mudinho tinham muito medo de pessoas mortas, não passavam nem perto de cemitério.

O Mudinho vinha muito assustado e quando olha pra trás, o defunto conseguira arrombar a tampa do caixão, estava sentado, olhos arregalados de visível espanto, tentando falar, mas não conseguia.

– Quando eu vi aquela coisa perdi o controle do avião e senti o mergulho, foi quando defunto veio parar em cima de mim. Se eu estava aterrorizado imagine o Mudinho. Procurei um canto para fazer um pouso de emergência e graças a Deus encontrei.

O cidadão não havia morrido, tivera um ataque de catalepsia – síndrome nervosa, de índole histérica, caracterizada pela suspensão total do movimento voluntário e da sensibilidade e, principalmente, pela rigidez dos músculos. Seus amigos pensaram que ele tinha morrido e providenciaram o envio do corpo para a família em Goiânia, onde deveria ser enterrado. Tudo esclarecido.

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