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Domingo, 2 de setemro de 2018
SAUDADE, reflexo de parte de nós que se foi

Não me importa o que pensem da SAUDADE. Tampouco irei me apegar às definições do dicionarista para tentar descrever um sentimento tão profundo que só pode ser entendido pelo silêncio.

É! Isto é a saudade. Algo indefinível que punge o coração e tortura a mente, talvez querendo esmagá-la para que deixe de sentir o vácuo interminável da ausência, impedindo-nos de reconstruir, ao menos, um pedacinho do passado recente.

A saudade, essa assaltante contumaz, sempre à espreita para nos arrebar sufocando os brios da alma quando pensamos estarmos imunes e que não iremos autoflagelar-nos diante da partida inesperada ou da ausência sentida de algo ou de alguém que estigmatizou a nossa existência.

Sentir saudade não é como tirar férias de nós mesmos para ignorar o mundo à nossa volta. É nos deixar tomar pelas lembranças de momentos que não querem ser esquecidos. Lugares, coisas, pessoas - principalmente estas -, cuja lacuna deixada em nosso ser demora ser preenchida e, às vezes nunca será.

Por isso mesmo, essa tal saudade é aquela coisa nostálgica que invade nosso peito, e num crescendo constante vai dilacerando nossas forças, desconstruindo pensamentos e nos empurrando para dentro desse vácuo imenso onde nossa queda é interminável.

Para nós os poetas, esse sentimento está em cada coisa que inebria o coração e a alma, como descreve o piauiense Da Costa e Silva, a saudade é “... Asa de dor do pensamento...” É um sentimento angustiante e há aqueles momentos que não temos a certeza do que é dor ou o que é saudade.

Para mim, ela é um misto de dor, sentimento de tristeza e agonia, transformando-se em um hino elegíaco que me revela a real grandeza e o sentido maior da existência. Com certeza ela, a saudade, não mata, mas desfigura a alma e dilacera a alma e fere o coração sem pena.

 

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