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Quinta-feira, 19 de outubro de 2017
Conversa de Boteco: A VINGANÇA DO CORNO

Ser corno não é uma coisa fácil. Há vários fatores que complicam a vida do coitado. Ele é o último a saber das trampolinagens da mulher. Os amigos lá em surdina sabem de tudo e não têm coragem de contar ao galhudo. Serve de chacota de todo tipo. Acredito que exista um anjo de guarda que se penaliza do sujeito na hora crucial, vendo que ele não aguenta mais o peso da galhada. Dá-lhe um sopro no ouvido e um grito de terror: “Acorda, corno veio!”

Certa feita, um amigo apelidado de Vagalume, contou pra mim a sua história de cornura. Fiquei penalizado com o sujeito. Nem seus irmãos, Parafuso e Grampo Velho, tiveram coragem de contar o que estava acontecendo. Ele fez uma pequena viagem para resolver os problemas na cidade vizinha, a respeito de reposição de estoque do seu armazém de tecidos. Concluído, resolveu tomar um drink, parece que foi nessa hora que o anjo soprador gritou no ouvido dele.

Quando sentiu aquele sopro forte no ouvido, veio uma grande dor de cabeça. O primeiro pensamento que lhe veio foi sua mulher. Pensou: “será que aconteceu alguma coisa com o meu amor?” Entrou imediatamente no carro e pé na estrada numa velocidade louca. Chegou muito antes do que pensava.

Entrou em casa às pressas, já era quase meia noite, quando abriu a porta do quarto, lá estava a mulher jogada nos braços do amante. O vexame todos sabem como é nessas horas. “Não é nada do que você está pensando!” E o outro dizia: “Vagalume fica calmo, vamos conversar, isso pode ser esclarecido”. Coitado! Dor cruel que rasga a alma como uma faca mal afiada, ferve o juízo.

Conversar porra nenhuma! Ele disse que deu meia volta e saiu de casa, deixando lá o pé de lã e a gostosona. Foi carpir o seu infortúnio cornal no Bar do Aparício. “Tempo ingrato, dor desgraçada, mas não vou perder minha razão”, comentava para si num momento de clareza enquanto bebia uns goles.

O tempo passou. Tudo resolvido. A mulher foi viver com o “Ricardão”. Vagalume retomou sua vida e tudo voltou à normalidade. O tempo! Senhor de todas as dúvidas e conselheiro da paz, aproximou os três, numa amizade insossa. Vagalume até empregou a ex-mulher como vendedora de tecidos. Dalí até ganhar mais confiança e começar a sair às escondidas com ela foi um pulo, até serem flagrados pelo novo marido da gostosona. E quando perguntado pelo ex-Ricardão do por que daquela traição, Vagalume não se fez de rogado e gritou bem alto: “É a vingança do corno, meu irmão!”

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