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Domingo, 4 de agosto de 2019
A SAUDADE DE CADA DIA

Não levo em consideração o que pensem sobre a SAUDADE, mesmo porque cada um tem sua maneira de expressá-la, de senti-la, de demonstra-la. Tampouco irei me apegar às definições do dicionarista para tentar descrever um sentimento tão profundo que só pode ser entendido pelo silêncio.

É. Isto é a saudade. Algo indefinível que punge o coração e tortura a mente, talvez querendo esmagá-la para que deixe de sentir o vácuo interminável da ausência, impedindo-nos de reconstruir, ao menos, um pedacinho do passado recente. A saudade não mata, mas maltrata em demasia o coração, a alma.

Ela sempre nos toma de assalto quando pensamos estar imunes e que não nos iremos autoflagelar diante da partida inesperada ou da ausência sentida de algo ou de alguém, principalmente esse tal alguém que nos completava a vida, adicionava novos sabores à existência, tempero que não encontramos em outros lugares ou corações.

Sentir saudade não é como tirar férias de nós mesmos para ignorar o mundo à nossa volta. É nos deixar tomar pelas lembranças de momentos que não querem ser esquecidos ou apagados. Lugares, coisas, pessoas, principalmente estas, cuja lacuna deixada em nosso ser demora ser preenchida e, às vezes nunca o é.

Se antes nos sentíamos num porto seguro, agora nos vemos arrebatados pelas ondas deste imenso oceano que é a vida. Por isso mesmo, essa tal saudade é aquela coisa nostálgica que invade nosso peito, e num crescendo constante vai dilacerando nossas forças, desconstruindo pensamentos e nos empurrando para dentro desse vácuo imenso onde nossa queda é interminável.

Para nós os poetas, esse sentimento está em cada coisa que inebria o coração e a alma, como descreve o piauiense Da Costa e Silva que qualifica a saudade como “... Asa de dor do pensamento...”

Para mim, ela é um misto de dor, sentimento de tristeza e agonia, transformando-se em um hino elegíaco que nos revela a real grandeza e o sentido maior da existência. Com certeza ela, a SAUDADE, não mata, mas desfigura a alma e dilacera o coração.

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