Avaliação do Usuário

Estrela ativaEstrela ativaEstrela ativaEstrela ativaEstrela ativa

Domingo, 3 de junho de 2018
O despertar da fé, uma crônica da vida real

HÁ HISTÓRIAS que a gente só acredita se tivesse presenciado. No entanto, essa é verdadeira. Uma pessoa religiosa não precisa mentir para confirmar a sua fé, essa chama silenciosa que clareia o caminho em busca da perfeição, da depuração dos sentimentos. Enfim, a ligação entre a criatura e o criador.

De todas essas coisas Amâncio Alves sabia e depois que deixou para trás aquele mar de lama da existência procura aperfeiçoar-se cada vez mais na sua fé. Ele conta ainda com profunda emoção: – Hoje me penalizo por todos os pecados cometidos. Reconheço meus erros, minha ignorância.

Sem dúvida, passados vários anos, até para a família era difícil acreditar naquele milagre, ou melhor, despertar do sono da prostração moral, da apatia, do domínio dos sentimentos inferiores, da degradação humana.

Naquele seu passado, Amâncio ia se entregando ao desleixo total, ia esquecendo o compromisso maior com a família. Dona Teresinha, sua mulher, fazia uma verdadeira cruzada religiosa em favor do marido. Sempre estava mergulhada em orações fervorosas, juntamente com suas três filhas.

E ele relembra aquele seu comportamento demoníaco. Muitas vezes batia na minha mulher e nas minhas filhas, porque entendia que elas estavam lhe tirando a paciência. “Acreditava que só eu estivesse certo e elas erradas” – comenta e fala do seu profundo arrependimento.

Quem o conhece sabe. Quando o Amâncio caia na farra, a mulher tinha a certeza de que muita confusão estava por vir e que ele só apareceria em casa uns dez dias depois. Seu roteiro de farras era o mais diversificado, incluía até jogatina desenfreada noites e noites seguidas. Muita cachaça e folguedos licenciosos em boates e cabarés. Enquanto houvesse sorte, enquanto tivesse dinheiro ganho na mesa de jogo a farra se prolongava indefinidamente.

Aos poucos desceu ao fundo do poço, abandonado por amigos e inúmeras amantes, que só estiveram interessados no seu dinheiro. Mesmo assim encontrava acolhimento em sua própria casa, era tratado com carinho pela mulher e as filhas, acostumadas àquela dor, àquele sacrifício, ao desprezo que recebiam da parte dele.

Ele nos conta que em uma noite de domingo, quando retornava de uma cansativa farra, prestes a cair pelas calçadas, viu mudar o rumo de sua vida quando passava em frente a uma Igreja Batista, próximo a sua casa, local onde havia parado de outras vezes para xingar os irmãos que ali estavam em culto evangélico. O inexplicável aconteceu!

O culto já estava pela metade e toda a igreja cantava alegremente o hino: “Manso e suave Jesus, convidando,/ Chama por ti e por mim./Eis que Ele à porta te espera velando:/Vela por ti e por mim”.

Amâncio diz: “Aquele apelo lhe chegou tão forte que foi impossível não entrar na igreja”. No seu entender o hino dizia: “Amâncio Alves Jesus tá chamando...” Ele lembra que ao tomar consciência de si, estava parado no meio na porta do templo e sentiu aquela força puxando-o para dentro da igreja.

Incrivelmente, a partir daquele dia, Amâncio mudou completamente de vida. A mudança pegou de surpresa a mulher e as filhas que ficaram desconfiadas com o comportamento daquela figura que só as tratava com desdém. Ao abrir a porta de casa, ele entra sufocando pelo pranto. Era um choro, segundo a sua mulher, quase que de desespero.

Ela conta que Amâncio caiu de joelhos, pedindo perdão àquelas três criaturas que ao longo dos anos tanto pediram a Deus para que operasse uma mudança em sua vida de pecador desvairado e que hoje, faz questão de dar seu testemunho de fé.

 

0
0
0
s2smodern

logo JRH down