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Domingo, 26 de maio de 2014
O menino queria ler, o pai não lhe comprava um livro

“Ei, pai, compra um livro pra mim”. – O pai fez que não ouviu, mas notou que estava passando com a família por um stand de livro, dentro do Shopping para onde o garoto apontava.

“Poxa, pai, é só R$ 10,00. Eu já perguntei” – Outra vez o cara fez que não ouviu nada. O garoto voltou a insistir. “Vamos olhar pai”. O menino falou puxando-o pela mão. Foi quando ele resolveu falar bruscamente.

– Não vou gastar dinheiro com porcaria, menino, – Aquela frase doeu-me nos ouvidos. E o pai do garoto continuo reclamando: “Tu já tem um monte dessas porcarias em casa e não vejo você ler nenhum, só quando leva pra escola. “Nem insista, não vou gastar dinheiro com essas besteiras”.

Então fiquei pensando como a ignorância ainda é predominante em todos os segmentos da sociedade. Livro, cultura, leitura, conhecimento, ser tudo qualificado, para muitas pessoas como “porcaria”.

Sobressaltado, lembrei-me de “A Menina que Roubava Livros”, do escritor australiano Markus Zusak, onde narra a história da pequena, Liesel Meninger, em plena II Guerra Mundial. Curiosamente, ainda sem saber ler, o primeiro livro que foi parar em suas mãos foi o manual do coveiro, que ela viu cair do bolso dele, quando a conduzia para ser enterrada na neve, sem saber que ela ainda estava viva.

Pouco tempo depois recobrou as parcas energias, as palavras contidas naquele livro, quando ela começou aprender a ler muito tempo depois foi ums luz, graças com a assistência do acordeonista Hans, o judeu do porão e seu amigo quase invisível. De certo, vai um recado para aqueles que acham que livros são porcarias: a sede de conhecimento deu Leisel Meninger uma fronteira da vida, que soube ela soube desfrutar após a terrível II Guerra.

Entretanto, os exemplos não são suficientes para se despertar em muitas mentes a coisa fantástica que é a leitura, através da qual atravessamos mundos distintos, desbravamos lugares mais distantes, maravilhamo-nos com a criatividade dos seus autores.

Em plena época da informática, raro é você encontrar jovens trocando ideias sobre algum livro que tenha lido. O celular vem em primeiro lugar. Muitas vezes três ou quatro jovens estão sentados a uma mesa, trocam palavras – apenas – pelo aplicativo do WhatsApp.

Ao que parece, isso não difere muito do que aquele pai falou para seu filho, que apesar de estar com um celular na mão implorava para lhe comprasse um livro. A quantas está a educação em todos os seus segmentos no país? Por esse exemplo podemos tirar uma conclusão a grosso modo: o imperativo da ignorância vai se tornando cada vez mais forte.

Por fim, não podemos deixar que o mundo fique acinzentado. Que as cores do horizonte fiquem enegrecida para as nossas crianças, elas precisa sonhar, precisam pintar com as cores do pensamento a magia que é a vida e se tornar uma realidade no futuro.

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