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Sexta-feira, 6 de julho de 2018
Migração venezuelana deformou Boa Vista: "A cidade nunca mais será a mesma", diz Teresa em entrevista

A prefeita Teresa faz um desabafo sobre a migração e confessa preocupação com o futuro de Boa Vista.

Na coluna de hoje, excepcionalmente, reproduzirei uma entrevista da prefeita Teresa Surita (MDB) ao jornal paulista O Estado de S. Paulo [Estadão] onde ela faz uma radiografia da migração, fala da deformação estrutural que a invasão venezuelana trouxe para Boa Vista e traça um quadro preocupante para o futuro, pressagiando muita coisa ruim caso o Governo Federal não apresse o passo e assuma verdadeiramente a frente do problema.

Teresa afirma que a situação chegou ao limite. Ela diz que o que se vê no horizonte é um desastre social e urbano. “Sem estrutura para lidar com a situação, Boa Vista não resistirá seis meses sem a assistência prometida, que o governo agora sonega”, diz.

Reclama que a prometida interiorização do atendimento não aconteceu. E o hospital de campanha também não se materializou. A vacinação continua não sendo obrigatória e um surto de sarampo se espalha pelo Estado e região Norte.

O que é é mais alarmante, avisa ela, é que a MP anunciada pelo Governo para a liberação de recusos para o cuidado dos venezuelanos em Roraima expira segunda-feira, dia 9, e o governo faz corpo mole no Congresso, deixando de pautar sua renovação. “Um desinteresse que chega a ser criminoso” acusa.

Dos R$ 190 milhões liberados pela MP, R$ 98 milhões não foram empenhados e serão perdidos. Mas o descaso do governo não será medido apenas em cifras. Será medido também em número de vítimas e caos urbano.

Segundo Teresa a única forma que o Governo Brasileiro tem de ajudar é na retirada do excedente de pessoas que estão na cidade, porque não há mais como atender a todos. E se isso não for feito logo, já em janeiro ou fevereiro do ano que vem a cidade vai colapsar.

“É a crônica de uma tragédia anunciada a notícia de que o governo Temer vai deixar caducar a MP que libera recursos para o atendimento dos refugiados da Venezuela”, diz a prefeita.

Nesta entrevista, ela discorre sobre diversos aspectos da crise migratória, como a xenofobia entre a população, o surto de sarampo (doença que estava erradicada no país), as dificuldades em garantir a vacinação de todos, as trapalhadas de Brasília para lidar com o que acontece em Boa Vista e, também, a questão envolvendo o fechamento da fronteira – um delicado tema levado ao STF pela governadora do Estado, a quem Surita se opõe frontalmente.

“O mundo está passando por uma transformação e os países não estão sabendo lidar com tudo isso. A integração vai se dando sempre com muita dificuldade, mas vejo o Brasil receber os migrantes e refugiados de uma maneira bastante humana”.

Porém, segundo ela, “o Brasil precisa aprender a dividir esse problema, que não é só nosso, de Roraima, mas de todos os estados, de toda a federação. O fato de estarmos muito longe do centro das atenções faz com que o grosso da população brasileira tenha somente no imaginário o que acontece por aqui”. Entrevista a André Dominguez do Carmo.

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