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Terça-feira, 28 de agosto de 2018
Jucá deixa liderança do Governo por discordar de Temer sobre migração venezuelana

Jucá anunciou ontem que não é mais líder do Governo por divergir sobe a migração. Foto Marcelo Camargo | Agência Brasil)

O senador Romero Jucá (MDB) anunciou ontem que está deixando a liderança do governo após desentendimentos com o Palácio do Planalto sobre as respostas que têm sido dadas à crise de Roraima, após a imigração de venezuelanos que chegam ao Brasil pelo estado. Por meio do Twitter, ele disse que já comunicou a decisão ao presidente Michel Temer.

"Acabo de comunicar ao presidente Michel Temer que deixo a Liderança do Governo por discordar da forma como o governo federal está tratando a questão dos venezuelanos em Roraima", escreveu Jucá na rede social.

Na semana passada, Jucá esteve no Planalto onde participou de uma reunião sobre a imigração de venezuelanos e sugeriu que o governo fechasse temporariamente a fronteira do estado. O objetivo, segundo ele, era evitar que Roraima entrasse em "colapso".

Desde antes, o Planalto já emitia sinais de que não limitaria a entrada de estrangeiros no país por questões humanitárias e também de acordos internacionais dos quais é signatário.

O senador disse que pretende atuar como "adversário" do governo na questão de Roraima e que fará "muito barulho" para cobrar do governo federal e de outros órgãos que os seus pleitos sejam aceitos. Ele negou que a decisão tenha sido tomada tendo em vista a proximidade das eleições.

"Há dois anos eu defendi o fechamento da fronteira. Eu estava antevendo o problema, e vai piorar, porque a Venezuela só piora. Depois da eleição, o problema continua. Esse assunto vai se agravar ainda mais, será uma questão para o novo presidente", afirmou.

Jucá disse que não tem condições de defender Roraima, criticar o governo e ocupar o cargo de líder. "Entre o cargo de líder, o governo federal, o estado e a população de Roraima, que me elege e eu tenho que defender, é claro que eu opto sem nenhuma dúvida pela população de Roraima", disse.

Essa questão não é uma questão eleitoral. Depois da eleição esse assunto vai se agravar ainda mais. Será uma posição para o restante do governo Michel Temer e para o novo presidente. E eu quero estar com uma posição firme, livre de amarras, para poder defender aquilo que eu penso", afirmou em entrevista coletiva concedida a jornalistas em Brasília nesta segunda.

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