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Quinta-feira, 1 de junho de 2017
O BAR E O SER

Logo ao entrar neste recinto hostil, me sinto tomado, invadido, consigo ouvir as dúvidas, sentir os medos... Meu corpo sente agulhas a transpassá-lo, e por alguns instantes doe, uma dor profunda e constante, como se meu corpo canalizasse pra si, todas as angústias e sofrimento humano.

Vejo pessoas sorrindo, tentando esconder suas aflições e dúvidas, como se as incertezas da vida pudessem ser contidas por alguns momentos de prazer, numa dose ou num papo descontraído.

Pessoas tentando encontrar a felicidade e o amor, como se fossem algo oferecido em um cardápio de bar. E o que encontram é somente vaidade, indiferença, insensatez, sentimentos funestos, vendidos a esmo sem receita.

E os efeitos colaterais do mesmo receituário... Só enxergo pequenas fagulhas, resquícios de humanidade e de pensamento profundos.

A raça humana... Humana...

Piada ao vislumbrarmos este mundo doente...

Sem olhar para o lado, o homem pede um chope, sem dar-se conta de que ao seu lado, existe um ser humano, a servi-lo, nessa sua jornada em busca do êxtase, do entorpecimento da dor, tornando-se cada vez mais insensível ao que acontece fora de sua busca frenética por prazer. E a servi-lo, um homem, mulher, pai de família, menos favorecido, que tem plena consciência de sua existência e ao mesmo tempo de sua insignificância, cultural, fictícia, inventada, nesse mundo insano aonde som da senzala não chega à casa-grande.

Mundo cão, onde vale mais quem menos tem... Sim, quem menos tem, menos humanidade, menos consciência, menos dor e culpa das atrocidades de um mundo verdadeiramente desumano.

Estamos diante da horripilante realidade: a inexistência do pensamento são e da desenfreada voracidade do ser. Ausência, ou melhor, incapacidade de compreensão das mais simples coisas, pois são as coisas mais simples que fazem o viver!

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