Sábado, 05 Outubro 2019 14:48

Mineração em terras indígenas, progresso ou devastação - Coluna do jornalista Kennedy Lacerda

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Sábado, 5 de outubro de 2019
Mineração em terras indígenas, progresso ou devastação

Nos últimos dias se falou muito no projeto que o governo federal pretende enviar para o Congresso Nacional regulamentando a mineração em terras indígenas, fato esse que causou enorme ebulição nos corredores do congresso e em vários cantos do mundo.

Para algumas lideranças indígenas e governos estrangeiros, essa medida tem o simples cunho político de exterminar os índios e agredir o meio ambiente, uma vez que não haverá como controlar a devastação de florestas e o comércio clandestino de pedras preciosas.

Experiências anteriores onde foram construídas hidrelétricas com a argumentação de compensações financeiras, na verdade só causou a destruição de rios e serras, assim como muitos conflitos com os povos indígenas das regiões.

Mas do outro lado do balcão tem os estados, que afundados em dívidas e sem recursos para atender a própria administração, veem na mineração um meio de abrir novas fronteiras de negócios e renda.

É o caso de Roraima, onde 46% de suas terras são reservas indígena e não é espanto nenhum dizer que além de estarem em faixa de fronteira, coincidentemente estão sob uma enorme reserva mineral.

Para o governador de Roraima Denarium, o Estado enfrenta uma situação sui generis, além desse porcentual de reservas indígenas, ainda tem 8,9% de unidade de conservação federal, 10% de unidade de conservação estadual, 1,2% de área militar e 5,5% de projeto de assentamento, restando para o desenvolvimento do Estado, somente 34% de suas terras.

Com a possibilidade de mineração em terras indígenas, o Estado de Roraima, por ter uma grande reserva de minério terá com certeza a chance de viabilizar recursos e alavancar seu desenvolvimento em definitivo.