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Quinta, 15 Junho 2017 12:08

Erro primário: Suely evitou associação com o Parlamento.

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Quinta-feira, 15 de junho de 2017
Erro primário: Suely evitou associação com o
Parlamento. E isso pode custar-lhe o mandato

Dos 24 deputados com assento na Assembleia Legislativa de Roraima, ironicamente, estava vazia apenas a cadeira justamente do líder do Governo, Brito Bezerra. E como numa avalanche o grupo da maioria, batizado agora de G-16, soterrou a minoria governista e aprovou por 14 a Zero o bombástico relatório do deputado Jorge Everton, resultado de investigações na CPI do Sistema Prisional.

Na prática a votação de ontem tem um significado ameaçador para o Palácio Senador Hélio Campos, pois além de expor um rosário de ilicitudes na Secretaria de Justiça e Cidadania, com desvios milionários, notas pagas sem processo administrativo devido, pede o indiciamento de dois ex-secretários, servidores da Sejuc, empresários fornecedores do Governo e abre o caminho para um pedido de Impeachment da governadora Suely Campos, por crime de responsabilidade.

O embate de ontem na Assembleia expôs o lado de apenas uma moeda, justamente a que definirá a vida política de Suely e seu Governo, certamente o impedimento dela. Não há como evitar um desgaste político a partir de agora, enfrentamentos alucinados entre os dois grupos dominantes na Assembleia e a troca de bandarilhas, rasgaduras entre aqueles que estão no topo desse jogo político: Suely Campos e Jalser Renier, com certa vantagem para o segundo.

Mas o que se viu ontem foi algo correspondente ao que vem se construído desde o primeiro dia da administração de Suely, em 1º de janeiro de 2014. Um Governo sem a menor pretensão política, achando que pelo simples fato de ter sido escolhido democraticamente pelo voto direto, embora da minoria dos eleitores roraimenses isso por si só o consolidaria.

Ao contrário do marido, o ex-governador Neudo Campos, Suely simplesmente desamparou o Parlamento. Abdicou de uma associação que é peculiar em qualquer tabuleiro onde para governar só se mexem as pedras com a anuência da casa legislativa, por maioria do Governo ou por agregação. Suely não tem uma coisa nem outra: acomodou-se com a minoria na Assembleia e atalhou, não sei orientada por quem, qualquer proximidade com o Legislativo afim de amarrar-se à uma aliança confortável e garantir-lhe o sono.

O esbarrão de ontem na Assembleia é o resultado de um governo politicamente equivocado e incorreto. Lembro-me do velho brigadeiro Ottomar Pinto: costumava dizer que para ter sossego e dormir tranquilo metade do parlamento-lhe bastava. E assim o fez na Assembleia e na Câmara de Boa Vista, quando foi prefeito, chegando ao fim de seus mandatos sem embaraços.

Contraditar agora só vai expor mais ainda a sangria. Óbvio que o processo de liberdade absoluta garante manifestações relativas de quem está se vendo acuado. O Governo já começou o movimento de tentar desqualificar o trabalho da CPI o que pode abrir precedentes perigosos na relação política com os adversários, se a intenção fugir para o lado irracional. A emoção pode embevecer o ódio, traspassar a obviedade da harmonia entre os poderes e cair na disputa puramente pessoal.

O jogo é de poder e pelo poder. E como diz o adágio bem popular, ‘o jogo é de São Severino, joga homem, mulher e menino. Cai fora os meninos’. Ou seja, pelo ânimo que se enxerga entre os deputados da maioria, o inferno astral da governadora Suely Campos está apenas começando.

O Governo, claro, tem a seu dispor todos os instrumentos jurídicos possíveis para tentar barrar um eventual processo de Impeachment. Porque politicamente essa possibilidade não existe mais. Ocorre que se partir para o enfrentamento, como dá mostras, pelo teor de uma nota oficial distribuída no final do dia de ontem, o sangramento só tende a aumentar.