Sábado, 07 Dezembro 2019 13:09

Contrabando: O ouro de Roraima vai para os Emirados Árabes Unidos e Índia.

Escrito por Expedito Perônnico

Por incrível que pareça, Roraima se tornou um dos maiores exportadores de ouro do Brasil, embora não tenha uma única mina legalizada produzindo o metal precioso.

Por conta dessa contradição, a Polícia Federal entrou no circuito para investigar a participação de uma quadrilha que está contrabandeando o ouro da Venezuela, legalizando aqui no Estado e mandando para fora do Estado, que depois segue para o exterior.

A operação de ontem, batizada de Hespérides – uma alusão a mitologia grega, seriam as responsáveis por cuidar do pomar onde a deusa Hera cultivava macieiras que davam frutos de ouro – foi decretada justamente para encontrar os garimpeiros que comercializaram este ano ao menos 1,2 tonelada do metal.

Segundo a PF o esquema – que envolve outros 4 estados brasileiros – tem um ramo no exterior, através de um traficante que mora na República Dominicana. O ouro tem como principal destino os Emirados Árabes Unidos e a Índia.

Nos últimos anos a quadrilha movimentou mais de R$ 230 milhões, sem que Roraima fosse beneficiado com o recolhimento dos impostos devidos.


PF mobilizou mais de 150 policiais na operação, em 4 estados.

Mais de 150 policiais na operação | A operação de ontem foi autorizada pela 4ª Vara Federal em Roraima, que também determinou o bloqueio de R$ 102 milhões dos envolvidos.

Mais de 150 policiais cumprem 17 mandados de prisão preventiva, 5 de prisão temporária, 48 buscas e apreensões e 15 sequestros/bloqueios de bens, nos estados de Roraima, Amazonas, Rio Grande do Norte, Rondônia e São Paulo.

As investigações tiveram início em setembro de 2017, após apreensão de aproximadamente 130 gramas de ouro no Aeroporto de Boa Vista/RR, destinados a uma empresa em São Paulo. Uma nota fiscal de compra de sucata de ouro acompanhava o metal, sendo verificado pela PF que se trataria de um documento falso.


O ouro que vem da Venezuela é legalizado em Roraima.

Processo de legalização | A operação PF mira três empresários venezuelanos, suspeitos de chefiar o esquema. Um deles, inclusive, é procurado pela Interpol por tráfico de drogas e crimes financeiros cometidos na República Dominicana.

A PF também investiga servidores da Receita Federal, estadual e Procuradoria Geral de Roraima.

O ouro extraído em Roraima e na região sul da Venezuela, na fronteira entre o estado brasileiro e o país vizinho, passava por um processo de “legalização” em um esquema que envolvia pagamento de propina aos servidores públicos.

A PF ainda suspeita do envolvimento de um procurador do estado, uma servidora comissionada da Procuradoria Estadual, um analista da Receita Federal e uma auditora fiscal de tributos do estado.


Mais de R$ 230 milhões foram movimentados em ouro.

Receita fez cruzamentos | A partir de cruzamentos realizados pela Receita Federal, que contribuiu com as investigações, suspeita-se que o grupo tenha movimentado ao menos 1,2 tonelada de ouro entre os anos de 2017 e 2019.

Em cotação atual, o montante representa mais de R$ 230 milhões. Se o procedimento regular de importação houvesse ocorrido, a Receita estima que seriam devidos aproximadamente R$ 26 milhões apenas em tributos federais, desconsiderando juros e multa.

Apenas no ano de 2018, a empresa que recebia o ouro em São Paulo teria exportado mais de R$ 1 bilhão em ouro e mais que triplicado seu faturamento nos últimos 3 anos.

A empresa suspeita também compraria o metal precioso de um outro grupo, baseado no Amapá, alvo da operação Ouro Perdido da PF, contra a comercialização de ouro extraído ilegalmente e que foi deflagrada em junho deste ano.

Relação de nomes com prisões preventivas e temporárias:

Marcelo Camacho Pinto, Marco Antônio Flores Moreno, Yonara Carla Pinho de Melo, Paulo Cezar Pereira Camilo, Regina Edna Ramos Geraldo, Altieres Rodrigues de Sousa Junior, Ruy da Silva Mariz, Jackson Wanderlei da Silva, Mario Sérgio Gonzaga Medeiros, Juan Josué Pantoja, Pedro Jesus Escalona Escobar, Joel Antônio Munoz Mejias, Valdemir de Melo Junior, Hernandes Jesus Santos Silva, Cleber Felisberto de Aguiar, Roberto Antônio Espejo Camacho e Nelson Jose Millan Diaz. Prisões temporárias de: Antônio Ramon Rivas Rodrigues, Felipe Eric Maia Sousa, Líbia Patrícia Cristancho Troconis, Paulo José Assis de Souza e Luís Miguel Escalona Pantoja. Fonte | Todas as informações das matérias acima são da Polícia federal.