Sexta, 20 Dezembro 2019 10:50

Bolsonaro defende pecuária em terra indígena de Roraima para baixar o preço da carne.

Escrito por Peronico

O presidente Jair Bolsonaro defendeu ontem
(19) a criação de gado em terra indígena como forma de baixar o preço da carne.
Ele fez a afirmação ao dizer que pretende enviar ao Congresso Nacional uma
proposta para permitir a mineração e a pecuária nessas terras, norma que ele
chamou de "Lei Áurea para o índio".

Bolsonaro falou com jornalistas
observado por indígenas de Roraima, defensores da exploração comercial nos
territórios dos índios amazônicos e que vieram a Brasília para apresentar a ele
propostas nesse sentido.

"Quero dar independência para eles.
Se ela [indígena] quer pegar sua terra, arrendar para alguém plantar soja ou
plantar milho lá, faça isso respeitando a legislação nossa", afirmou.
"O índio vai poder fazer tudo na sua terra que o fazendeiro faz na dele. E
ponto final."

O presidente explicou, então, que já
conversou com o ministro Bento Albuquerque, das Minas e Energia, a esse
respeito. E que pretende enviar ao Congresso um texto que contemple tanto a
agricultura quanto a mineração nessas terras. "Vai ser tudo num projeto
só, a ideia é essa", disse. "Não teve a Lei Áurea? Vamos inventar um
nome aí, a Lei Áurea par o índio".

Ao lembrar que as áreas indígenas no
Brasil são maiores do que a Região Sudeste, Bolsonaro voltou a questionar o
interesse estrangeiro nessas reservas. "Grandes reservas Yanomami têm duas
vezes o tamanho do Rio de Janeiro; Raposa Serra do Sol, entre outras, se
tornaram independentes em nome da proteção deles [os índios], mas a ideia não é
protegê-los, e sim pegar o que eles têm de bom. Vocês acham que os estrangeiros
estão preocupados com o futuro deles? Não estão", argumentou Bolsonaro.

"Queremos liberdade", diz Marcolino | Como forma de demonstrar
apoio de alguns índios a seu governo, Bolsonaro apresentou, aos jornalistas,
dois integrantes da Sociedade de Defesa dos Índios Unidos do Norte de Roraima
(Sodiurr), que estavam entre os apoiadores de Bolsonaro na porta do Alvorada, o
cacique Jonas Marcolino e a índia Irisnaide de Souza Silva.

"Queremos a liberdade econômica e a
liberdade em todos aspectos. Queremos desfrutar os direitos humanos. Queremos
boa educação, boa produção e dignidade", disse Marcolino.

- Índio quando não tem independência
fica mendigando e sempre dependendo de algo", acrescentou Irisnaide.