Sexta, 27 Dezembro 2019 13:05

Rui Figueiredo desabafa no Facebook: “Secretária de Saúde exigiu pagamento de propina…”

Escrito por Perônnico

Cecília Lorezom é a atual secretária de Saúde do Estado.

Uma semana depois de ter sido preso na operação Godfather da Polícia Federal – e solto no dia seguinte, sob acusação de envolvimento, não provado – em esquema de fraudes em licitações e desvio de recursos da Secretaria de Saúde, o jornalista Rui Figueiredo fez um desabafo no Facebook, colocando ainda mais combustível na fogueira.

Em um texto cronológico, longo e bem detalhado, Rui demonstra indignação e se sente injustiçado pela prisão e afirma que passou de ‘vítima a criminoso’ por pura perseguição de um delegado, por não ter conseguido um flagrante de pagamento de propina.

“Era o dá ou desce. Se eu tivesse conseguido o flagrante que o delegado tanto queria, ou confessasse um crime que não praticara, certamente não estaria ali passando por um constrangimento que se desdobraria em eventos muito piores”.

Rui diz que bem antes da operação da PF já havia procurado a Justiça Federal, o Gaeco e o Ministério Público Federal por 6 vezes ou mais, para denunciar a existência de corrupção na Secretaria Estadual de Saúde (Sesau).

E cita claramente que a atual secretária de Saúde, Cecília Smith Lorezom, determinou à empesa Adolini – investigada pela PF e que fornece alimentação para as unidades de saúde do estado – que “repassasse 10% do valor faturado a um político sem mandato”, e diz que que não pode revelar os nomes dos envolvidos porque as investigações correm em segredo justiça.

O jornalista prossegue no seu desabafo e diz que “na manhã do último dia 19 – o dia da operação Godfather -, a partir de um trabalho fantasioso de engenharia policial em que o delegado induziu a juíza federal a um erro inconcebível e imperdoável, a Polícia Federal prendeu as vítimas, em vez dos corruptos”.

Ele diz que “só os inocentes foram presos”:  – “o dono da empresa, que ou pagava a propina ou não recebia a fatura; o pai dele, que lhe emprestava dinheiro por conta dos atrasos de pagamento da Sesau; o médico que era investidor da empresa e declarava isso no seu Imposto de Renda; o responsável pelo setor de compras devido aos depósitos em sua conta para fazer compras no comércio local; o advogado da empresa, porque cobrava os pagamentos devidos pela Sesau e conversava com cobrador de propina; um amigo do dono da empresa que o aconselhou a apagar do celular determinadas conversas, e por último um amigo que prestava consultoria à empresa…”

E ao final do texto, o jornalista desabafa: “É esse o modelo de Polícia que nos assusta, porque reforça a posição do bandido e põe na cadeia inocentes. É a Polícia que prende para investigar, em vez de investigar para prender.. A questão, no entanto, é que os fins não justificam os meios, quando esses são as vítimas. No mais, não se repara o dano causado a pessoas de bem e a seus familiares com tamanha insensatez”.