Sexta, 14 Fevereiro 2020 13:34

Para o outro lado da margem

Escrito por Neimar Fernandes

Informações filtradas desde a Província de Hubei, China, deixam bem claro que o número de mortos por conta do coronavírus é muitas vezes maior do que o anunciado pelas autoridades daquele país. No último dia 5, quarta-feira, enquanto o governo chinês apontava 300 mortos, o site Taiwan News registrava mais de 24 mil e 500 óbitos.

Estranhamente, o coronavírus é mais letal para o povo asiático. Ainda não se sabe por quê. O que se sabe é que a produção de vírus e bactérias continua a todo vapor, com cada país aprimorando o seu potencial e poder de destruição na calada da noite. Quando acontece a perda de controle, e vírus como tal ganha o mundo, o desespero é geral.

O planeta, seguramente, está chegando a ponto de convergência que reúne duas questões decididamente insolúveis. A primeira é espécie de saturação tecnológica no ritmo da convivência social. O pai da psicanálise, Sigmund Freud, dizia que “o Contrato Social é uma fonte de angústias”. Que dizer quando potencializado?

A segunda questão diz respeito às mudanças climáticas que batem à nossa porta e têm dado mostra das dificuldades a enfrentar. Acontecimentos sobre os quais não se tem o mínimo controle, ao contrário do que meios de comunicação internacional (inclusive a Rede Globo), garantem ser causados pelo ser humano.

O astrofísico inglês Piers Corbyn, grande estudioso dos fenômenos solares, vem vaticinando há bom tempo mudanças pelas quais o nosso planeta começou a percorrer. Tudo isso porque a atividade solar diminuiu e não se tem ideia de quanto tempo irá assim permanecer. Cheias, terremotos, erupções vulcânicas e tsunamis vieram para ficar.

O que sofre a influência direta do homem é o rompimento de barragens, como ocorrido em Mariana e Brumadinho, destruindo praticamente o estado de Minas Gerais. O lançamento de resíduos tóxicos nos rios decretou a ruína econômica de povoados e municípios. Mas, no Brasil, ninguém é responsabilizado ou preso!

Em países subdesenvolvidos como o nosso, balão de ensaio de ideologias esdrúxulas (como a ditada pelo italiano Antônio Gramsci), desenvolvemos cultura de pornografia explícita que por si só se basta para controle. O estado brasileiro estimula a baixaria, permitindo emissoras de TV, como a Rede Globo, no pleno exercício.

Hoje, um dos povos mais fáceis de manipulação é o brasileiro. Basta ver o número de livrarias diminuir na razão proporcional do crescimento de farmácias. Tudo funciona ao contrário. Inclusive, as Universidades, onde graduados e laureados em cursos técnicos, gratuitos, na maioria das vezes emigram para países que nada investiram em despesas.

É difícil, quase impossível, colocar alguma coisa na cabeça de população que não lê. A maioria diplomada em cursos de Ciências Humanas onde parcela esmagadora do corpo docente orienta-se por vezo ideológico, paixão e despreparo.

No Brasil, onde a corrupção alarga espaços e poder de conquista, vive-se o limbo do desconhecimento. Quase tudo causa surpresa e espanto, pois cérebros carecem de raciocínio. Falta-lhes substância, mas não argumentos vazios, instrumentos de soberba.

Todos parecem defrontar enorme cansaço. Como se já tivéssemos visto tudo e soubéssemos resultados finais. A população mundial jaz entediada na quebra referencial de todo e qualquer valor. O mais interessante é perceber que a natureza sabe exatamente quando isso acontece e toma providências. A varredura já começou.

Márcio Acyolli