Quarta, 18 Março 2020 12:55

China anuncia vacina contra o coronavírus. A pergunta que não quer calar: vai doar ou vender?

Escrito por Neimar Fernandes

China diz que “desenvolveu” com sucesso a vacina contra o coronavírus e se prepara para sua produção em larga escala

Estudos clínicos em humanos deste medicamento, desenvolvidos pela Academia Militar Asiática de Ciências Médicas, começarão em breve, onde se acredita que o surto de COpqVID-19, agora uma pandemia, tenha começado.

A Academia Militar de Ciências Médicas da República Popular da China disse nesta terça-feira que “com sucesso” desenvolveu a vacina recombinante contra o coronavírus, observando que está sendo preparada para produção “em larga escala”, de acordo com comunicado divulgado pelo Ministério da Saúde.

A vacina foi aprovada para o início de estudos clínicos em humanos, de acordo com padrões internacionais e regulamentos nacionais, afirma a agência.

Detalhes no banco de dados de registro de ensaios clínicos chineses mostram que um teste de “Fase 1″ que examinará se a vacina experimental é segura em humanos visa recrutar 108 pessoas saudáveis ​​para participar do processo entre 16 de março e 31 de dezembro.

O julgamento será conduzido pela Academia Militar de Ciências Médicas e pela empresa de biotecnologia CanSino Biologics RIC, informou a agência Reuters.

O medicamento foi desenvolvido dentro de um mês por uma equipe de pesquisa liderada pelo Dr. Chen Wei, conhecido por seus estudos sobre os vírus SARS e Ebola. De fato, parte do trabalho foi baseada no estudo das vacinas contra o Ebola existentes.

“A vacina é a arma científica mais poderosa para acabar com o coronavírus”, disse Chen, 54 anos, em uma aparição diante da rede chinesa de CFTV, citada pelo Daily Mail.

“Se a China é o primeiro país a inventar essa arma e obtemos nossas patentes, isso demonstrará o progresso de nossa ciência e a imagem de um país gigante”, disse o especialista.

Acredita-se que uma nova cepa de coronavírus, o COVID-19, tenha surgido em dezembro na cidade de Wuhan, no centro da China. Desde então, não parou de se espalhar pelo mundo, tornando-se uma pandemia.

A vacina foi desenvolvida em um laboratório militar.
No geral, 195.892 casos de coronavírus foram confirmados, embora se acredite que o número real possa ser muito maior devido à falta de métodos de teste para toda a população. Enquanto 7.865 mortes e 80.840 recuperadas foram relatadas.

A China, o país mais afetado, possui 81.058 casos confirmados, com 3.230 mortos e 68.798 curados. Enquanto na Itália, o segundo maior surto do mundo, 31.506 casos foram confirmados com 2.503 mortes e 2.941 recuperados.

Mas, embora a China pareça ter conseguido conter o surto em seu território, os contágios não param de crescer na Europa e o vírus está se espalhando por toda a América.

Além da China, outros países estão desenvolvendo vacinas contra o COVID-19, entre eles o Brasil.

Nesta terça-feira, o primeiro voluntário recebeu uma injeção de RNA mensageiro que não a expõe ao vírus, no Instituto de Pesquisa Kaiser Permanente, em Seattle, Estados Unidos.

Esse candidato a vacina, conhecido como mRNA-1273, foi desenvolvido pelo NIH e pela empresa de biotecnologia Moderna Inc., com sede em Massachusetts. Não há chance de os participantes serem infectados porque as vacinas não contêm o próprio coronavírus.

Isso é explicado em um artigo da Universidade de Cambridge: “Ao contrário de uma vacina normal, as vacinas de RNA funcionam introduzindo uma sequência de mRNA (a molécula que diz às células o que construir) que é codificada para um antígeno específico da doença, uma vez produzida dentro do corpo, o sistema imunológico reconhece o antígeno, preparando-se para combater a coisa real “.

Vamos aguardar e acompanhar os avanços nessas próximas semanas.

Resta a pergunta que não quer calar: a China vai vender ou doar a vacina?