Quinta, 02 Abril 2020 13:53

Será que só eu consigo ver este comportamento da imprensa? Por favor, me ajudem a enxergar a realidade.

Escrito por Neimar Fernandes

1 – Se o número de mortes no Brasil estiver baixo, dê destaque diário ao número de CASOS CONFIRMADOS,  pois eles são maiores (mesmo que depois as pessoas se curem).

2 – Se ainda estiverem baixos, informe também os CASOS SUSPEITOS (mesmo que depois eles não se confirmem). É VITAL ASSUSTAR A POPULAÇÃO.

3 – Para reforçar, informe os internados em ESTADO GRAVE (mesmo que não se transformem em óbitos). ISSO AUMENTA OS NÚMEROS DA TRAGÉDIA.

4- Informe cada morte como se fosse uma TRAGÉDIA INCOMUM (mas nunca compare com as mortes diárias bem maiores, por dengue, gripe comum, acidentes de trânsito, homicídios, etc.)

5 – Divulge sempre as MORTES NA ITÁLIA, MAS NUNCA FALE DA Suiça, Áustria, Noruega, Israel, que estão próximos geograficamente, mas têm poucos óbitos.

6 – NUNCA MENCIONE PAÍSES DO HEMISFÉRIO SUL, que têm perfil climático semelhante ao Brasil, e têm contagem baixa de mortes, como Austrália, África do Sul e Chile.

7 – Proibido terminantemente divulgar lista* dos países e seus respectivos números de óbitos, para que a população não tenha nunca uma visão real da situação.

8 – Se tiver que divulgar uma lista, que seja SÓ A DE CASOS CONFIRMADOS, pois quem mais mede, mais vai achar (mesmo que isso não represente mortes).

9 – Evite falar que as mortes são basicamente de pessoas idosas e com doenças crônicas. AS POUCAS MORTES DE PESSOAS JOVENS DEVEM VIRAR MANCHETES.

10 – Não fale que as crianças são praticamente imunes ao coronavírus.

11 – ARRUMEM “ESPECIALISTAS”, QUE REFORCEM O PÂNICO. Médicos e epidemiologistas com visão contrária devem ser cortados, mesmo que seja durante as entrevistas ao vivo.

12 – Divulgue ao máximo países que implantarem quarentena radical, mesmo que não haja estudos conclusivos de que ela funcione.

13 – NÃO APOIE NENHUM TIPO DE CURA como a hidroxicloroquina, pois isso dá esperança ao povo. Se falar de vacinas, dê destaque ao longo tempo que vai levar para estarem disponíveis.

14 – Se possível, evite falar das pessoas que perderam ou perderão seus empregos nos próximos anos. FALAR DE FOME E DESESPERO NO FUTURO ESTÁ VETADO.

15 – Empresários, grandes ou pequenos, não devem dar entrevistas, por motivos óbvios.

16 – ROMANTIZE A QUARENTENA e o isolamento: mostre crianças brincando com os avós, pessoas cantando nas sacadas, artistas “sofrendo em suas casas, fazendo a sua parte”.

17 – Repita, à exaustão, a frase “Fique em casa!” e JAMAIS TOQUE NO ASSUNTO DE COMO SOBREVIVER SEM TRABALHAR.

18 – Ações autoritárias de governos estaduais, reprimindo policialmente e multando quem foge ao isolamento, merecem reportagem. ISSO MANTÉM O POVO SOBRE CONTROLE.

19 – Mostre artistas famosos contaminados pelo coronavírus. Isso tem forte apelo emocional e assusta a população mais pobre (“Se eles, ricos, pegaram, imagina eu”).

20 – Divulgue os “benefícios ambientais” da quarentena: animais bonitinhos reaparecendo nas cidades, poluição diminuindo, trânsito melhorando (não mencione caos econômico).

E A REGRA MAIS IMPORTANTE, que faz parte do objetivo principal: toda notícia negativa deve ser atribuída ou vinculada ao governo Bolsonaro, SEJA VERDADEIRA OU NÃO. Qualquer notícia positiva deve ser atribuída aos governos estaduais (SP e RJ principalmente).