Sexta, 29 Maio 2020 19:22

Tomar o poder pela força é, relativamente fácil, difícil é devolve-lo de forma democrática e rápida. NÃO SEJA MASSA DE MANOBRA.

Escrito por Neimar Fernandes

As forças armadas só irão intervir se a população estivar maciçamente nas ruas. Foi assim em 1964. Enquanto não houve a união dos políticos descontentes, população, igreja e imprensa nada aconteceu e o Brasil vivia momentos de caos e total desgoverno.

Impossível acontecer em um Brasil dividido. Hoje Bolsonaro tem apenas 33% de apoio, cerca de 1/3 do eleitorado.

Muitos erros se sucederam ao movimento de 1964 e esse é o maior temor de que algo semelhante aconteça.

Tomar o poder pela força é, relativamente fácil, difícil é devolve-lo de forma democrática e rápida.

Uma intervenção militar é tudo que as esquerdas querem nesse momento. A gritaria mundial contra um GOLPE NO BRASIL, provocará um retrocesso monstruoso em todas as últimas conquistas e libertação do jugo comunista de nossa nação.

Provavelmente os generais substituirão o presidente Bolsonaro e estabelecerão um regime de exceção, com promessas de uma redemocratização breve.

O apego ao poder muda todo o comportamento do ser humano, ninguém está livre disto, a menos que tenha extrema consciência de patriotismo, compromisso com a verdade e temor a Deus, para cumprir promessas e deveres assumidos.

Vivemos um descarado movimento de grande parte do STF, se envolvendo em decisões que extrapolam suas funções constitucionais, atropelando o bom senso com finalidades escusas de interferência na governabilidade e, consequentemente, na estabilidade da nação.

Líderes políticos experientes, aproveitando-se da fragilidade do congresso devido ao grande número de novos e inexperientes parlamentares, manipulam e conspiram para impedir quaisquer atitudes que possam representar execução de compromissos de campanha feitos pelo atual presidente da república.

Sem nenhum compromisso com o bem estar, seja na saúde, educação, trabalho ou recuperação econômica cabeças coroadas dos três poderes trabalham abertamente pela desestabilização no executivo.

Esse roteiro já foi escrito várias vezes, resultando em filmes diferentes. Vamos relembrar:

No primeiro semestre de 1954, a corrupção chegou a pessoas muito próximas de Getúlio (um de seus filhos foi acusado de fazer negócios escusos) e isso o desgastou muito. O presidente, entretanto, nunca foi corrupto. Getúlio sabia que haveria um golpe das forças armadas para depô-lo.

Na última reunião que fez com o ministério, pouquíssimas pessoas ficaram do seu lado. Já idoso (tinha 72 anos) e experiente das lutas políticas, Getúlio sentiu que o cerco havia se fechado e preferiu o gesto dramático do suicídio. Esse gesto, devido a grande comoção nacional, evitou o golpe e levou ao poder em eleições diretas Juscelino Kubistchek.

Em 1961 A viagem do vice João Goulart à República Popular da China, à União Soviética e a outros países do Oriente, foi apoiada pelo presidente da República.

O que não se sabia era que, em meio a este périplo, o País ficaria sem seu presidente eleito e a sucessão natural estaria ameaçada. João Goulart, que viajou como chefe de uma missão econômica e parlamentar, levou 31 dias para voltar ao Brasil, onde só desembarcou com a certeza de que assumiria a presidência no lugar de Jânio, mesmo que sob o regime parlamentarista.

Na madrugada do dia 31 de março de 1964, um golpe militar foi deflagrado contra o governo legalmente constituído de João Goulart.

A falta de reação do governo e dos grupos que lhe davam apoio foi notável. Não se conseguiu articular os militares legalistas.

Também fracassou uma greve geral proposta pelo Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) em apoio ao governo.

João Goulart, em busca de segurança, viajou no dia 1o de abril do Rio, para Brasília, e em seguida para Porto Alegre, onde Leonel Brizola tentava organizar a resistência com apoio de oficiais legalistas, a exemplo do que ocorrera em 1961.

Apesar da insistência de Brizola, Jango desistiu de um confronto militar com os golpistas e seguiu para o exílio no Uruguai, de onde só retornaria ao Brasil para ser sepultado, em 1976.

Como já ocorrera em 1961, após a renúncia de Jânio Quadros, o poder real, no entanto, encontrava-se em mãos militares.

No dia 2 de abril, foi organizado o autodenominado “Comando Supremo da Revolução”, composto por três membros: o brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo (Aeronáutica), o vice-almirante Augusto Rademaker (Marinha) e o general Artur da Costa e Silva, representante do Exército e homem-forte do triunvirato. Essa junta permaneceria no poder por duas semanas.

O resto da história eu não vou contar aqui, fato é que quem a escreve, geralmente, são os vencedores e por isto é preciso pesquisar em diversas fontes além das oficiais.

Posto isto, acho que é mais recomendável um apoio popular ao presidente eleito, goste ou não dele, afim de preservar nossa democracia. Melhor esperar 2 anos do que 24 para tentar melhor escolha.

Não se apaga incêndio com gasolina e mexer com artigo 142 da constituição de 1988 é mergulhar o país em cenário incerto e perigoso.

Ja basta a trágica pandemia que enfrentamos às cegas.

Bom senso e canja de galinha não matam ninguém!

 

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NEIMAR FERNANDES é jornalista e publicitário, pós graduado em marketing pela SUNY-State University of New York e tem mais de 40 anos de experiência com serviços prestados no Brasil e exterior.