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O número de brasileiros inadimplentes bateu novo recorde no mês de abril, chegando a 63,2 milhões de pessoas, o que equivale a 40,4% da população adulta, segundo dados divulgados ontem, quinta-feira (6) pela Serasa Experian. Quem passa por essa situação deve, em primeiro lugar, não se desesperar.

“O primeiro passo é olhar para a sua realidade financeira, ou seja: conhecer detalhadamente seus ganhos e todos os seus gastos. Sabemos que muitos tem medo de encarar o problema de frente, mas é preciso colocar os pés no chão para conseguir mudar essa realidade", orienta o presidente da Abefin - Associação Brasileira de Educadores Financeiros, Reinaldo Domingos.

De acordo com Domingos, é preciso traçar um planejamento, negociar e pagar as dívidas, sem deixar de lado o principal: mudar hábitos e comportamentos que o levaram a esta situação. Veja as orientações para sair da situação de inadimplência:

1- Conheça a sua situação
Colocar na ponta do lápis todas as dívidas que possuir, separando as que correspondem a serviços e produtos de necessidade básica, que não podem ser cortados (como água, energia elétrica, gás e aluguel) e as que sofrem juros mais altos (como cartão de crédito e cheque especial), considerando essas como prioridade para pagamento. Conheça em detalhes todas as dívidas: valor das parcelas, valor total, condições de pagamento, etc.;

2- Faça um diagnóstico financeiro
Em seguida faça um diagnóstico financeiro, para saber como pode diminuir as despesas mensais, fazendo sobrar dinheiro para pagar as dívidas em atraso. Anote durante 30 dias todos os gastos que tiver, separando por tipo de despesa. Isso inclui gastos “pequenos”, que podem até ser considerado menos importantes, como gorjetas e guloseimas, pois no final do período será possível compreender de que forma, efetivamente, seu dinheiro está sendo gasto. Reflita sobre os hábitos e comportamentos que o levaram a chegar nessa situação, assim saberá o que deve mudar e quais gastos irá reduzir ou eliminar;

3- Trace um planejamento
Tenha em mente que só se deve negociar uma dívida quando se tem condições de fazer isso, ou seja, após se planejar, pois um passo precipitado pode até piorar a situação. Portanto, só se deve procurar um credor, quando já souber quanto terá disponível mensalmente para pagar e, então, poder negociar;

4- Cuidado com o consignado
Trocar uma dívida pela outra nem sempre é a melhor alternativa. É claro que o crédito consignado, por exemplo, oferece juros baixos em comparação ao cartão de crédito, cheque especial e financiamentos, já que o pagamento é retido diretamente do salário. Justamente por isso é preciso cautela com o consignado, já que para quem já está com dificuldade em administrar as finanças, ter sua renda habitual reduzida pode desencadear novos endividamentos e problemas ainda maiores, virando uma bola de neve;

5- Tenha o hábito de sonhar
Em momentos de crise financeira, que são passageiros, é importante resgatar sonhos, objetivos que realmente importam e que farão a pessoa ter ainda mais motivos para “dar a volta por cima”. Tenha pelo menos três: um sonho de curto prazo (a ser realizado em até um ano), outro de médio prazo (entre um a dez anos) e outro de longo prazo (acima de 10 anos), sendo que um deles deve ser o de sair das dívidas;

6- Poupe dinheiro
Poupe dinheiro mensalmente para cada um de seus objetivos, inclusive o de sair das dívidas. Mesmo endividado, é necessário reduzir custos e poupar, assim terá fôlego para negociar e quitar as dívidas. Poupe especialmente as rendas extras, como 13º salários, bônus, etc.;

7- Atenção em novas compras
Para não agravar a situação, antes de realizar qualquer compra, se faça algumas perguntas como “Eu realmente preciso desse produto?”, “O que ele vai trazer de benefício para a minha vida?”, “Estou comprando por necessidade real ou movido por outro sentimento, como carência, baixa autoestima ou influência de terceiros?”. Ao fazer isso, terá uma grande surpresa sobre a quantidade de coisas adquirida apenas por impulsividade e evitará acumular parcelas e piorar sua situação.

Fonte: Reinaldo Domingos, presidente da Abefin - Associação Brasileira de Educadores Financeiros – www.abefin.org.br 

 

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