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Escrita pela professora Lana Cristina Barbosa de Melo, a obra A coordenação pedagógica na mediação do trabalho do professor: humanização ou alienação na formação do aluno com deficiência intelectual? Ela foi fruto de sua dissertação, apresentada em 2017, do curso de Mestrado Acadêmico em Educação do PPGE - Programa de Pós-Graduação em Educação da UERR - Universidade Estadual de Roraima.

O estudo aborda a estrutura da consciência humana por meio da psicologia histórico-social, fundamentada nos apontamentos de Leontiev, com base no materialismo dialético de Marx. No livro, a autora propõe uma análise criteriosa das condições materiais de trabalho do coordenador pedagógico.

“A condição de trabalho desse profissional é determinada pela legislação, pelo contexto vivenciado no dia a dia da escola, na sala de aula, e pela formação dos professores. Nesse sentido, proponho uma discussão sobre uma série de instrumentos que contribuem para que o coordenador pedagógico desenvolva, por vezes, uma consciência ‘alienada’, não percebendo a importância do seu trabalho no desenvolvimento do aluno com deficiência” comente Lana.

Ela afirma ainda que após a conclusão do trabalho e de sua apresentação para os profissionais do IFRR, muitos me abordaram e afirmaram se identificar com as discussões suscitadas. Então, penso que o estudo oportunizou essa reflexão acerca da importância desse papel.

Barreiras institucionais – Para Lana, a principal barreira encontrada para que a educação inclusiva seja efetivada no âmbito institucional é, indiscutivelmente, a forma como o sistema capitalista estrutura o mercado de trabalho.

“Quando se analisa o contexto de formação implementado, desde a primeira Lei de Diretrizes de Base da Educação, a 4024/61, passando pela 5692/71, até chegar à 9394/96, percebe-se que é exigida a formação de perfis para o trabalho, e, sendo assim, trabalhamos com foco na formação de mão de obra qualificada, e não nas questões humanas do desenvolvimento. Nós fazemos isso não porque queremos, mas devido às próprias exigências do sistema educacional”, destaca Lana Cristina.

Para ela o olhar humano se materializa no sentido de fornecer para essas pessoas com deficiência, público da educação especial, tudo aquilo que a humanidade já produziu, que é o conhecimento. “Só que esse conhecimento vem sendo utilizado com excelência na formação para o mercado de trabalho competitivo, no entanto é preciso também atentar para a formação humana, no sentido de o profissional buscar um trabalho que o satisfaça e que, por meio dele, possa expressar suas reais potencialidades. Nesse último aspecto, a instituição ainda precisa avançar. Isso acontece porque ela está atrelada às questões mercadológicas, e o mercado entende que pessoas com deficiência não são produtivas. Temos esse entrave, não é algo simples!”, explicou.

Para que se possam superar tais barreiras, a autora acredita que uma das estratégias seja o ensino técnico integrado, que apresenta condições de se trabalhar com as questões mais humanas abordando, na formação do aluno, o trabalho como princípio educativo.

De acordo com a coordenadora do Napne - Núcleo de Atendimento a Pessoas com Necessidades Educacionais Específicas, Leda Nara Guimarães Campos, o setor pretende estimular uma cultura inclusiva, que promova a acessibilidade atitudinal, comunicacional, metodológica, instrumental, educacional e arquitetônica, eliminando as barreiras que restringem a participação e o desenvolvimento acadêmico e social de estudantes com deficiência. “O ambiente escolar precisa desenvolver ações pedagógicas que tenham sentido para todos os alunos, considerando a necessidade do desenvolvimento da capacidade representativa de cada um. Nesse sentido, a obra da professora Lana vem somar para que essas discussões sejam levantadas”, disse.

Bandeira da inclusão – Professora há vinte e quatro anos, Lana vem de uma família envolvida em causas sociais e conta que, ainda muito jovem, chegou a cursar, durante um ano, Jornalismo e Pedagogia ao mesmo tempo, mas que, após esse período, se viu apaixonada pela educação especial. Ela atribui a militância na educação inclusiva ao exemplo dos pais, que sempre foram comprometidos com causas sociais. A irmã de Lana, Lilia Cristiane de Melo, desenvolve projetos sociais em Belém (PA) e recebeu, no ano passado, o Prêmio Professores do Brasil, categoria ensino médio, como o melhor relato de experiência da Região Norte. “Sou negra e venho de uma família pobre. Minha mãe trabalhou em casa de família, meu pai foi lavador de carros, e hoje é um jornalista renomado.

Então, em virtude de toda essa influência, com uma base familiar de origem humilde, de mulheres excluídas, tenho um grande comprometimento com as minorias. E, de repente, me vi diante de uma causa que eu pudesse abraçar e fiz dela a minha bandeira. Agradeço a minha orientadora, professora Bruna Marinho, que acreditou no meu potencial e me ajudou a trilhar esse importante percurso formativo; ao Instituto Federal e a todos os colegas, que não mediram esforços para me ajudar durante o curso. Tenho o maior orgulho de trabalhar aqui e de conviver com todos”, ressaltou emocionada.

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