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O Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR), por meio do Gaemi-DH, Grupo de Atuação Especial de Minorias e Direitos Humanos, abriu diálogo com lideranças indígenas Waimiri Atroari, a pedido dos próprios índios, para ajudar na intermediação com a empresa concessionária e o governo federal, que visam a construção do Linhão de Tucuruí.

A obra prevê a ligação energética de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Hoje, 70% da energia consumida no estado são importados da Venezuela. O projeto prevê que o Linhão saia de Manaus e chegue a Boa Vista/RR, atravessando o território indígena.

Na última terça-feira, 23 de abril, o Procurador de Justiça Edson Damas, coordenador do Gaemi-DH, reuniu-se com lideranças indígenas em uma das aldeias, no território Waimiri Atroari. Foi a primeira ação do grupo, instituído pela Procuradora-Geral de Justiça Janaína Carneiro Costa, no fim de março deste ano.

No encontro, os índios definiram que vão aguardar a apresentação do Plano Básico Ambiental (PBA) por parte do consórcio que venceu a licitação para construir o Linhão. O documento deve descrever o impacto ambiental que a obra vai causar na região. De acordo com os índios, até o momento eles não receberam nenhum estudo nesse sentido.

O Procurador de Justiça disse que a ideia é traduzir o estudo de impacto ambiental da obra para a língua indígena, daí, os índios discutirão sobre a validação ou não do empreendimento em audiências internas. Segundo Edson Damas, a percepção é de que os índios não são contra a construção do Linhão.

“Há um interesse por parte dos indígenas de conhecer o empreendimento e não ouvi por parte de nenhuma liderança um posicionamento no sentido de não se fazer a obra. Então isso já é um grande avanço. O que ouvi por parte deles é o interesse em conhecer os impactos ambientais com a realização da obra para, posteriormente, discutirem internamente”, relatou o Procurador.

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