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Médicos do Estado aperfeiçoaram seus conhecimentos sobre a problemática em capacitação ministrada médico infectologista Ralph Xavier

O manejo clínico da Difteria – doença bacteriana aguda, cujas lesões invadem as estruturas das amígdalas, laringe e nariz, comprometendo o estado geral do paciente, que apresenta febre, cansaço e palidez – tem sido uma preocupação das autoridades de saúde. Segunda-feira (26), objetivando treinar profissionais médicos a trabalharem com essa enfermidade, foi realizado um treinamento, no auditório do Conselho Regional de Medicina (CRM).

O evento foi organizado pela Sesau (Secretaria Estadual de Saúde) em parceria com o Ministério da Saúde e teve a participação do especialista Ralph Xavier, médico infectologista, da Universidade Federal Fluminense do Rio de Janeiro (UFF). Especialista no manejo clínico da doença, Xavier foi autor de um capítulo sobre o tema no livro “Rotinas de Diagnóstico e Tratamento das Doenças Infecciosas e parasitárias”, de Walter Tavares e Luiz Marinho.

O Dr. Ralph Xavier explicou que as principais manifestações da doença ocorrem no sistema respiratório. “É importante a criança ser observada, pois ela pode tanto ter febre baixa ou alta, o que não invalida o diagnóstico, além de não brincar ou comer”, disse. Após o primeiro atendimento ao paciente, o diagnóstico sai em até 5 dias.

O infectologista ressalta que a Miocardia Diftérica, evolução da difteria, aparece após o desaparecimento da manifestação aguda, mas há a inflamação do coração. Tal agravo é um dos principais fatores que levam o paciente a óbito. Ele ressalta que a vacinação é a principal arma contra a difteria e relembra que entre os anos 70 e 80, a incidência da doença era alta. O ideal seria as pessoas se vacinarem a cada 10 anos.

Sobre a aparição de casos de Difteria tratados atualmente, Xavier destaca que a letalidade tem percentual de 5% a 10%, e que nos primeiros casos, eles costumam dar um quantitativo maior, porque o médico não está habituado a ver esse diagnóstico. “O trabalho do Ministério da Saúde e da Sesau é divulgar para a população a existência da doença letal e alertar sobre as consequências e efeitos”, disse o palestrante.

DIFTERIA EM RORAIMA – A Coordenadora Geral de Vigilância em Saúde, Daniela Souza, afirma que há o risco de Roraima sofrer com um possível surto de difteria, considerando que há casos da doença na Venezuela. “Quando analisamos a nossa cobertura vacinal, podemos verificar que não é de 100%. Então nós também temos risco de ter casos aqui, pois é uma doença transmissível, porém temos vacina para controlar” analisa Daniela.

A coordenadora ainda acrescentou que foi necessário capacitar a equipe de saúde como um todo, por se tratar de uma doença em eliminação. “A classe de saúde não tem tanta facilidade como manejar um caso desse. Então por isso a necessidade dessa capacitação, para que a gente treine os profissionais sobre o que eles terão que fazer frente a um caso”, explicou.

Daniela explica que, além do treinamento, já foi emitido um alerta à todas as unidades de saúde do Estado sobre a doença na Venezuela e anunciou que a Sesau já recebeu do Ministério da Saúde, milhares de doses de vacinas, que foram distribuídas pelos munícipios do interior.

PRIMEIROS CASO EM RR – Em 2017, um caso de difteria foi confirmado em Boa Vista. Um adolescente venezuelano foi a óbito por causa de complicações da enfermidade. Os médicos Abner Cutrim e Thamyres Morato, que diagnosticaram e acompanharam o caso, estiveram presentes no treinamento.

Thamyres conta que a mãe chegou ao Brasil em busca de um melhor tratamento para o filho. Ela percebeu que a criança estava desnutrida, apática, fraca e com bastante tosse, além de ter histórico de malária. Para melhor atendimento ao paciente, ela contou com a ajuda do médico plantonista venezuelano Luís Carneiro, que chegou no diagnóstico de Difteria.

“O principal que a gente tem que fazer quando está atendendo é identificar aquilo que não é normal, uma coisa que a gente não vê muito no nosso país, principalmente levando em conta a questão da imigração venezuelana que está acontecendo agora”, disse a residente do Hospital da Criança Santo Antônio.

Já Cutrim conta que, após ser colocado em isolamento, o paciente foi acompanhado por um pediatra e um infectologista. “Nós acionamos o Ministério da Saúde e conseguimos o Soro Antidiftérico (SAD) no dia seguinte ao atendimento”, disse o médico ao relatar que apesar dos esforços, o quadro do adolescente evoluiu para uma infecção renal e miocardite, o que ocasionou a morte.

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