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O site de notícias ‘The Intercept Brasil’ publicou na noite deste domingo (9) uma série de reportagens denominadas ‘As mensagens secretas da Lava Jato’, em que vaza conteúdos de aplicativos de mensagens privadas entre integrantes da força-tarefa da Lava Jato. Os diálogos são entre o atual Ministro da Justiça Sergio Moro e o Procurador da República e coordenador da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol.

Segundo o ‘The Intercept Brasil’, as conversas publicadas fazem parte de um lote de arquivos “enviados por uma fonte anônima há algumas semanas”. Em três atos, o conteúdo mostra diversos trechos de mensagens trocadas nos últimos anos.

Em uma das passagens, por exemplo, se pode ver uma troca de mensagens de Dallagnol com outros procuradores em um grupo do Telegram. A troca de ideia teria acontecido dias antes de Deltan apresentar a denúncia contra Lula no caso do triplex. Na ocasião, o coordenador da Lava Jato se mostrava preocupado com um possível teor frágil na acusação e posterior a repercussão do caso.

“Falarão que estamos acusando com base em notícia de jornal e indícios frágeis… então é um item que é bom que esteja bem amarrado. Fora esse item, até agora tenho receio da ligação entre petrobras e o enriquecimento, e depois que me falaram to com receio da história do apto… São pontos em que temos que ter as respostas ajustadas e na ponta da língua.”

Em outro fragmento da conversa em grupo, procuradores da Lava Jato reagem ao pedido da Folha de SP para entrevistar Lula na prisão, durante campanha eleitoral. As procuradoras Laura Tesseler e Isabel Groba se mostram revoltadas. Groba se manifesta usando a expressão ‘mafiosos’. As mensagens também mostram receio dos procuradores com a possível eleição de Fernando Haddad.

Também são relatas trocas de mensagens entre Dallagnol e Moro, então juiz da 13ª Vara Federal no Paraná. Em um dos bate-papos o procurador reclama das críticas da imprensa após denúncia de Lula no caso triplex e Sergio Moro tranquiliza:

“Definitivamente, as críticas à exposição de vcs são desproporcionais. Siga firme.”
Em um outro diálogo entre Moro e Dellagnol, o site dá a entender que houve interferência do juiz na investigação. Em uma das conversas, que ocorreu depois da decisão do STF de soltar Alexandrino Alencar, então diretor de relações institucionais da Odebrecht, lê-se o seguinte:

“Caro, STF soltou Alexandrino. Estamos com outra denúncia a ponto de sair, e pediremos prisão com base em fundamentos adicionais na cota. […] Seria possível apreciar hoje?”, escreveu Dallagnol. Moro respondeu: “Não creio que conseguiria ver hj. Mas pensem bem se é uma boa ideia.”
Após conversa com Moro, o coordenador da Lava Jato comunicou aos colegas procuradores a posição do juiz. Ainda no aplicativo de mensagem, um mês depois, Moro questiona Dallagnol sobre a iniciativa de recorrer das condenações de colaboradores. Enquanto o procurador tenta impedir a execução da pena, o magistrado pensava o oposto.

Já em 21 de fevereiro de 2016, em mensagem direta a Dallagnol, Moro sugere uma inversão na ordem de duas operações que estavam planejadas pelo MPF.

O site alega que mais reportagens serão veiculadas e que possui chats, áudios, vídeos, fotos e documentos como material.

1006 Procuradores dea Lava Jato

Procuradores reagem a “ataque criminoso à Lava Jato”

A força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal do Paraná (MPF/PR) afirmou em nota, que “seus membros foram vítimas de ação criminosa de um hacker que praticou os mais graves ataques à atividade do Ministério Público, à vida privada e à segurança de seus integrantes”.

“A ação vil do hacker invadiu telefones e aplicativos de procuradores da Lava Jato usados para comunicação privada e no interesse do trabalho, tendo havido ainda a subtração de identidade de alguns de seus integrantes. Não se sabe exatamente ainda a extensão da invasão, mas se sabe que foram obtidas cópias de mensagens e arquivos trocados em relações privadas e de trabalho”, dizem os procuradores.

“Dentre as informações ilegalmente copiadas, possivelmente estão documentos e dados sobre estratégias e investigações em andamento e sobre rotinas pessoais e de segurança dos integrantes da força-tarefa e de suas famílias. Há a tranquilidade de que os dados eventualmente obtidos refletem uma atividade desenvolvida com pleno respeito à legalidade e de forma técnica e imparcial, em mais de cinco anos de Operação”, afirmam.

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