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Como uma atitude dos pais pode influenciar a vida dos filhos​

Colisão de hierarquia é o nome que se dá para situações em que alguém que está em uma hierarquia acima traz informações de quem está nessa hierarquia acima para aqueles que estão abaixo. Um exemplo comum dessa situação é quando um chefe fala mal de outro chefe para um subordinado – e dessa forma acaba dando mais poder para quem está “abaixo”, mesmo que seja sem querer.

João Alexandre Borba, psicólogo e coach, comenta que também é muito comum observar quadros de colisão de hierarquia na família, quando ocorre uma separação do casal e eles trazem essa informação para os filhos. “Quando acontece a separação do casal, infelizmente é comum o pai falar mal da mãe para o filho – e vice versa. Dessa forma, o filho acaba por perder o respeito pela mãe ou pelo pai, o que prejudica, e muito, na educação da criança”, exalta Borba.

O especialista explica que quando a mãe fala mal do pai para a criança, o filho começa a se sentir melhor que o pai, por exemplo. E isso é ainda pior quando acontece durante o período da adolescência. “O adolescente é aquela pessoa que está começando a se descobrir, a arriscar, a experimentar coisas novas. Quando acontece algo desse tipo ele sente ainda mais vontade de ‘peitar’ o seu responsável – afinal, ele se sente superior a ele, - e, sem perceber, começa a se autodestruir, deixando de fazer as coisas apenas porque gosta, mas também para atingir o pai ou a mãe”, explica o psicólogo.

E os problemas que essa colisão de hierarquia pode causar são grandes. “Quando a pessoa briga e não respeita e aceita os seus pais, ela perde a sua referência e sua identidade, gerando um caos na cabeça dessa pessoa”, comenta Borba, que lembra que é preciso, independente do caso, entender a sua família e aceitar sua raiz ao invés de tentar cortá-la. Para isso, o ideal é criar ferramentas para lidar com o sistema – ou seja, a estrutura familiar, - para, a partir daí, criar a sua própria família. “Quanto mais uma pessoa nega suas origens, maior o caos dentro de sua cabeça”, lembra.

Porém, entender a sua origem familiar não significa que você precise concordar com tudo o que vê: se você enxerga algo que não gosta em sua mãe ou seu pai, veja como isso lhe atinge como você pode fazer uso disso a seu favor. Borba faz uso de um exemplo real para explicar isso:

“Atendi uma corretora que não respeitava nem um pouco a sua mãe, dizia que ela era malandra demais, ‘mutreteira’, e a filha odiava isso, não queria adquirir nenhuma característica da sua progenitora. Em paralelo a isso, a corretora estava sofrendo na sua profissão, sem dinheiro e em crise. Com as nossas sessões avançando, descobrimos, juntos, que ela poderia sim aceitar as suas origens e fazer uso de uma característica de sua mãe que ela tentava negar: o jogo de cintura. Assim, ela deixou o lado ruim fora – a malandragem, por exemplo, - e pegou para si o lado bom: o jogo de cintura. Sua vida e seu trabalho melhoraram de forma inimaginável. Por que isso aconteceu? Porque ela aceitou o seu sistema, começou a respeitar a sua mãe e voltou para sua posição na hierarquia: a posição de filha. Agora ela estaria pronta para seguir em frente com a sua vida e criar o seu próprio sistema”, conta Borba.

Isso tudo significa uma coisa: a pessoa precisa entender o padrão em que vive, independente se considerá-lo positivo ou negativo. “Você pode aceitar ou não o sistema dos teus pais, porém, seja lá qual for a sua opinião, compreenda-o e use-o a seu favor, respeitando os seus pais e o sistema deles”, conclui o especialista.

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