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Por Márcio Accioly - O senador Mecias de Jesus (PRB) tem repercutido, no Congresso Nacional, Relatório produzido pela CDH - Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Roraima, onde é analisado impacto produzido no Estado pela grande quantidade de refugiados provenientes da Venezuela. O cenário é caótico e assustador.

Apesar de confundir o gravíssimo problema do afluxo de refugiados, como “crise migratória”, a Comissão aponta abalos que tal movimento tem exercido, pois dentro em pouco existirá em Roraima “um país inteiro dentro de um estado”. Calcula-se que 30% dos que ali vivem, no momento, são refugiados venezuelanos.

De acordo com a CDH, “a saúde é uma das mais atingidas”. Além de “crise financeira sem precedentes”, decorrente da má gestão estadual anterior, a situação se agravou em razão de conflitos ocorridos na fronteira entre os dois países. O fluxo de refugiados superlotou hospitais roraimenses e esgotou medicamentos ainda disponíveis.

Mecias de Jesus tem peregrinado através de Ministérios, órgãos federais e no Palácio do Planalto. Nos contatos efetuados no Senado, tem buscado partidários para a sua causa na tentativa de encontrar urgente saída para o problema. Mas ele percebe com inquietação que a distância dos fatos não oferece real noção da tragédia que se desenrola.

Recentemente, diante da notícia de que moradores do município de Pacaraima estariam expulsando venezuelanos, a Rede Globo inseriu passagem numa de suas novelas, afirmando que os roraimenses estão hostilizando os venezuelanos. Jogou contra a população, resumindo o desastre a querelas vãs.

O fato motivou, inclusive, manifestação do senador durante a presença do ministro da Justiça, Sérgio Moro, em depoimento numa das Comissões daquela Casa. Mecias falou do clima de medo e apreensão existente no estado, em função dos altos índices de criminalidade por conta das ações de parte dos refugiados.

A presença maciça de venezuelanos tem sobrecarregado gastos e custos no desempenho da administração estadual. Se não forem tomadas providência urgentíssimas, o colapso será inevitável. No Relatório da CDH, o caso é mostrado com clareza, inclusive com números que indicam abalos significativos na educação.

Somente no último mês de abril, quase três mil alunos foram matriculados em escolas públicas do estado, sem contar os que se abrigaram na rede municipal. É como se a Venezuela estivesse transferindo seu contingente populacional para Roraima, sem que houvesse aumento proporcional na receita estadual para enfrentar o problema.

A verdade é que Roraima pede e necessita de socorro. Quem está distante dessa encrenca, vivendo em outras regiões do país, não deve esquecer que brasileiros do extremo Norte anoitecem e amanhecem vivendo desdita que não emite sinais de arrefecimento. Pelo contrário, a pressão aumenta a cada dia.

Num país onde cuidados costumam levar anos de estagnação, à espera de medidas paliativas, a questão dos refugiados venezuelanos se encontra inserida entre as de maior premência dentre todas. É matéria de sobrevivência de um estado. E de um povo.

 

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