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Esta é a primeira vez que o presidente venesuelano comparece diante de uma bancada opositora, à qual acusa de planejar dar um "golpe de estado"

1801 presidente Maduro e o presidente da Assembleia Nacional Henry RamosO presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, prestou contas sexta-feira (16/01) de sua gestão perante um Parlamento de maioria opositora, que quer tirá-lo do poder. A visita presidência deu-se pouco após ele decretar o "estado de emergência", diante da profunda crise que asfixia o país.

Em um ato inédito em 17 anos de governo chavista, Maduro, usando sua faixa presidencial, entrou no Parlamento legislativo sob aplausos dos simpatizantes que ocupavam as tribunas e trocou, sorridente, algumas palavras com o presidente da Assembleia, Henry Ramos Allup, um ferrenho antichavista.

Esta é a primeira vez que Maduro comparece diante de uma bancada opositora, à qual acusa de planejar dar um "golpe de estado", pois desde que assumiu o controle do Legislativo, há dez dias, anunciou que irá atrás de uma "via legal" para "mudar o governo".

"Hoje, graças à Constituição, esta oposição está em maioria e em exercício nesta Assembleia", disse Maduro, em tom conciliador, em suas primeiras palavras da tribuna do Parlamento, lotado de funcionários de governo, deputados, diplomatas e jornalistas.

Pouco antes, Maduro decretou um estado de emergência no país devido à crise, cuja gravidade foi confirmada pelo Banco Central, ao revelar os primeiros indicadores econômicos em mais de um ano: a inflação acumulada entre janeiro e setembro de 2015 foi de 108,7% e a economia encolheu 4,5% neste período.

O decreto, que vigorará por 60 dias, permitirá ao governo dispor de bens de empresas privadas para garantir o abastecimento de produtos e fixa limites para a entrada e a saída da moeda local em espécie, anunciou o ministro da Economia, Luis Salas.

"São medidas tomadas para proteger o povo e não para ir contra ele", disse o ministro, em mensagem transmitida pela televisão, para enfrentar o que o governo considera uma "guerra econômica" da direita, apoiada pelos Estados Unidos, para gerar uma falência institucional.

Ramos Allup tinha desacreditado o decreto de antemão, ao afirmar que "a crise não é superável com este governo".

"É um modelo fracassado", acrescentou o legislador, que coloca, entre as prioridades da agenda da oposição, uma anistia para presos políticos e reformas econômicas.

NO OLHO DO FURACÃO ECONÔMICO – Analistas independentes recomendam a unificação das três taxas de câmbio – além da do mercado negro, 125 vezes superior à menor taxa oficial –, a eliminação do controle de preços, aumentar o preço da gasolina (quase de graça no país), estimular o investimento privado e reduzir o gasto público.

Maduro anunciou o decreto como um conjunto de medidas para impulsionar a produção e reduzir a dependência quase total do petróleo – fonte de 96% das divisas do país –, que esta semana fechou em 24,38 dólares o barril, o menor preço dos últimos 12 anos.

O país com as maiores reservas de petróleo do planeta sofre um severo desabastecimento que gera longas filas que irritam os venezuelanos.

Maduro sustenta que o país está em uma "tempestade" econômica, da qual só pode sair "com mais socialismo", frente a um "Parlamento burguês" que busca impor um "modelo neoliberal" de privatizações e acabar com as conquistas sociais da revolução.

CRISE INSTITUCIONAL – A presença de Maduro no Congresso acontece em meio a uma crise institucional, desatada após a instalação, há dez dias, da nova Assembleia Nacional.

O tom do debate nestas duas semanas chegou ao ponto de Ramos Allup precisar enviar a Maduro uma mensagem através da esposa deste, Cilia Flores, para assegurar que seria recebido com respeito.

Seu comparecimento foi posto em dúvida, pois o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) tinha declarado o Parlamento em "desacato" na segunda-feira e anulado suas decisões por ter empossado três deputados opositores que, impugnados pela situação, estão suspensos enquanto são investigados por suposta fraude eleitoral.

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