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Segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018
DE ISONOMIA

(*) Eduardo Gomes de Andrade - Brasil humanitário e perfeitamente bem inserido ao princípio da cordialidade nas relações internacionais. É assim que se apresenta aos olhos do mundo o maior país do nosso continente ao enviar comitiva ministerial a Roraima em busca de solução para milhares de vizinhos venezuelanos que cruzaram a fronteira em busca de alimento, medicamento e da paz que o regime do bolivarianismo não lhes assegura.

Brasil calhorda, Estado menor que não respeitou seus cidadãos que na força do trabalho diário cultivavam arroz e lidavam com gado nas terras próximas a Venezuela. Vimos seres humanos tratados como lixo, jogados na sarjeta abrindo espaço para a terra indígena.

Brasil subalterno que na noite de 18 de novembro de 1991 oficializou aos Estados Unidos e seus aliados europeus que criaria a reserva Ianomâmi com 9,41 milhões de hectares na fronteira com a Venezuela, para a primeira grande área indígena binacional, pois do lado vizinho outros 8,2 milhões também teriam a mesma destinação. Essa proeza foi de Collor de Mello e seu colega Carlos Andrés Perez.

Esse Brasil que criou um Estado Ianomâmi binacional em suas entranhas e que de fato não tem titularidade sobre ele é o mesmo país covarde que botou no olho da rua seus filhos agricultores e pecuaristas que trabalhavam na área supranacionalizada. Ninguém sabe o que aconteceu com as vítimas da desintrusão. Quantos morreram de desgosto? Quantos agora vivem na miséria na periferia de Boa Vista? Quantos foram arrastados pelo tráfico ou sugados pela prostituição ou por crimes famélicos? Isso ninguém sabe. O que sabemos é sobre o gesto humanitário do ministro da Defesa, Raul Jungmann, que traça plano e operações para distribuir em outros estados, os venezuelanos vítimas do bolivarianismo nascido de Chávez uma vez que Roraima não tem estrutura para recebe-los.

Que se estendam todas as mãos aos venezuelanos, nossos irmãos. O que ninguém entende é como essa generosidade de Estado não chegou aos nossos irmãos brasileiros expulsos da reserva binacional que ganhou as manchetes com o rótulo de Raposa Serra do Sol?

Esse gesto de benevolência que parte de Jungmann é a cara do Brasil burocrático conduzido por acéfalos que para sobreviverem dividem o poder com ambientalistas, sindicalistas pelegos, politiqueiros e outros oportunistas. Jungmann espelha bem essa realidade: figura que há muitos anos e independentemente de quem exerça o governo está agarrado nas tetas do poder, ora travestido de mestre da reforma agrária, ora como questionador dos desajustes sociais e agora como senhor da guerra. Ainda que nos deixemos vencer pela incapacidade de despertarmos o amor pátrio - nesse caso, pelo menos nele - peçamos isonomia para os brasileiros jogados ao léu na terra onde o Brasil se descabela para proteger os hermanos venezuelanos.

(*) Eduardo Gomes de Andrade é jornalista e escreve no jornal Diário de Cuiaba. Este artigo foi publicado sábado, 10 de fevereiro -
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