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Segunda-feira, 23 de julho de 2018
Anamnese: a arte da medicina

(*) Antonio Monteiro - Anamnese é a arte de saber ouvir o paciente e tirar de todas suas informações aquilo que é significativo para explicar a verdadeira causa de seus problemas.

Ao fazer uma boa anamnese o médico procura saber desde quando e como começaram os sintomas que estão incomodando o seu cliente e se ocorreram grandes mudanças em suas condições de vida nesse tempo.

Será necessário saber seu grau de escolaridade; tipo de ocupação; estrutura e relações familiares; medos; tabus; uso habitual de remédios; hábitos alimentares; uso de tabaco, álcool ou outras drogas; hábitos de exercícios físicos; antecedentes de doenças nos familiares mais próximos; antecedentes de doenças do próprio paciente; resultados de exames complementares mais recentes e um interrogatório resumido sobre o funcionamento de outros sistemas e aparelhos não referidos na queixa atual.

Gostaria que pensassem um pouco e procurassem lembrar a última vez que um colega médico realizou essa anamnese com vocês.

Com o avanço tecnológico da medicina e a especialização cada vez mais precoce e fatiada dessa ciência, a anamnese passou a ser coisa do passado; peça de museu, perda de tempo!

Hoje estamos preocupados em fazer logo um diagnóstico rápido e preciso usando toda parafernália de recursos tecnológicos disponíveis e cada vez mais caros, sem muitas vezes saber que nosso paciente está muito nervoso porque perdeu seu emprego e não sabe como vai pagar todos os compromissos assumidos. Será que sua doença não tem um forte componente emocional que jamais poderá ser visto em tomografias ou ressonâncias?

Como uma boa anamnese é essencial para uma boa medicina creio que em poucos anos vamos ter um novo especialista médico: o anamnólogo, aquele que fará uma boa anamnese e entregará a seus colegas de outras especialidades, para que possam entender melhor os problemas de seus pacientes!

Brincadeiras à parte, a medicina precisa urgentemente resgatar o seu componente arte. Aquele que inclusive vai garantir que possamos continuar indispensáveis e não sejamos trocados por computadores, que pacientemente colherão todas as informações necessárias ao entendimento do problema; farão melhores diagnósticos e ainda fornecerão receitas legíveis!

A medicina só tem um componente arte, porque cada um de nós é um ser único especial e assim precisa ser tratado. Computadores ainda não conseguem ter essa sensibilidade e nos transmitir conforto e segurança de que estão respeitando nossa individualidade.

Colegas! Pensem sobre isso e procurem resgatar o componente arte de nossa profissão, que afinal foi o que trouxe tanto prestígio aos médicos desde a antiguidade.

Nenhuma máquina será capaz de substituir um sorriso amigável, uma palavra de conforto e a demonstração de interesse no problema do nosso paciente.


(*) Antonio Monteiro é médico clínico geral e preventivista formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Contato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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