jrh log
ANO XIV - 1º jornal 100% online de Roraima desde 2014


Avaliação do Usuário

Estrela ativaEstrela ativaEstrela ativaEstrela ativaEstrela ativa
 

Sexta-feira, 5 de julho de 2019
Brasil…Sera que agora vai? Antes, saiba algumas verdades

Paulo Guedes, super ministro da economia, é um liberal. Raciocínio simples e lógico: a divida brasileira é de 3,6 trilhões de Reais e para sustenta-la pagamos cerca de 330 bilhões de Reais por ano, só de serviço da dívida.

Nossas reservas em dólares equivalem a 1,5 trilhão em Reais e rendem menos de 70 bilhões de Reais por ano. Parte dessas reservas podem e devem ser usadas para pagar a dívida e diminuir o peso dos juros anuais que pagamos.

Não faz nenhum sentido manter uma poupança maior do que você necessita rendendo menos do que paga de juros por suas dívidas. Como exemplo, se pagarmos 1 trilhão reduzimos a dívida para 2,6 trilhões e os juros anuais para 230 bilhões, economia de 100 bilhões por ano, que poderão ser usados na habitação, saúde, infraestrutura e ainda continuaremos com reservas de 500 bilhões de Reais cerca de 140 bilhões de dólares, mais que suficientes para uma economia em desenvolvimento. Simples assim!

Em um segundo momento, precisaremos agregar valor as nossas exportações e evitarmos a dependência majoritária do negócio de commodities, mesmo sendo o Brasil um celeiro para o mundo. A gritaria geral, normalmente feita por aqueles que desconhecem as realidades de produtos e mercados globais, levam multidões de incautos a propagarem inverdades e injustiças contra o governo.

A primeira delas se refere à exaltação do nióbio. Este elemento químico, embora extremamente valioso, é perfeitamente substituível. Vanádio e titânio cumprem a mesma função. O vanádio é encontrado na África do Sul, Rússia e China. O titânio na África do Sul, Índia, Canadá, Nova Zelândia, Austrália, Ucrânia, Japão e China. Esses países exploram suas próprias reservas. O nióbio também pode ser trocado por tungstênio, tântalo ou molibdênio. “Não há mercado para mais nióbio”, afirma o economista Rui Fernandes Pereira Júnior, especialista em recursos minerais.

Outra questão é que bastam 100 gramas de nióbio para 1 tonelada de aço na produção de ligas super resistentes. “As reservas brasileiras são suficientes para abastecer o mundo por séculos. Mas aquelas existentes em outras regiões do planeta, como Canadá e Austrália, também o são”, diz Roberto Galery, professor do departamento de Engenharia de Minas da UFMG.

Quer dizer: não adianta aumentar muito o preço do nióbio, pois os compradores tenderão a optar por outros metais, nem tentar acelerar demais a exportação (pois aí haverá excesso de oferta de nióbio, fazendo o valor desse metal despencar).

Há outra questão: o Brasil só exporta o nióbio em si. Não fabrica produtos derivados dele. “Ninguém está disposto a pagar uma fortuna pelo nióbio, porque nós não conseguimos dar valor agregado a ele”, diz o professor Leandro Tessler, do Instituto de Física da Unicamp. “Nós repetimos nosso velho ciclo: vendemos matéria-prima e compramos produtos prontos. Vendemos nióbio e compramos fios de tomógrafos, por exemplo.”

É um caso parecido com o do silício. Nós temos as maiores reservas de areia do planeta (e é da areia que o silício é extraído), mas só exportamos silício com 99,5% de pureza, menos que os 99,99999% exigidos pela indústria eletrônica.

E os royalties? O Brasil cobra pouco, mas cobra. O Estado fica com 2% do valor das exportações de nióbio – bem menos do que a Austrália, que exige 10%. Nós poderíamos impor royalties mais altos (com o petróleo, por exemplo, eles ficam entre 5% e 10%). Mas não há sinais de que isso vá ser feito.

O Marco Regulatório da Mineração, que está tramitando no Congresso desde junho de 2017, não traz nenhuma regra específica para o nióbio. Agora, com nova tragédia sob a égide do setor, não sabemos mais quando teremos nova regulamentação.

Pobre Brasil. Mãos à obra senhores congressistas!

Desde as viagens de Marco Polo, sabemos que só se diminui a pobreza com liberdade do mercado. Vender, barganhar, permutar sem interferências ou regras impostas por terceiros. Impossível dividir pobreza em qualquer proporção, já a riqueza permite divisões equilibradas ou perversas, mas é a única forma de crescimento.

Veja dois exemplos atuais e gritantes, capazes de comprovar esta lição: Hong Kong uma ilha sem terra, água potável e constituída sobre maciço rochoso, através do livre comércio, saiu da pobreza extrema para uma renda per capta maior que a do reino unido, do qual era colônia, em apenas 40 anos. Singapura outra ex colônia, paupérrima e dominada pela criminalidade, conseguiu o mesmo em 30 anos.

No Brasil convivemos com governos equivocados, políticos mal intencionados, magistrados que mudam o discurso de acordo com os próprios interesses.
Lembram-se do “Se for preso ou morto viro herói nacional. Se ficar solto volto a presidente da república”.

Quanta estupidez em poucas palavras. Fica patente a conotação beligerante visando instalar o caos e a desordem.

Aqui cabe um apenso simbólico: A democracia é a arte do diálogo e não a imposição de uma nação. Parafraseando o mestre Gaudêncio Torquato, a foto do presente ainda está fora de foco, mas a legenda é a mesma que Nietzsche gritou do penhasco de Engadine, nos Alpes suíços: “Vejo subir a preamar do niilismo”.

0
0
0
s2smodern

logo JRH down