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Quinta-feira, 18 de julho de 2019
Fotografia de uma crise – Explodem atropelos de todos os lados

Democracia é o governo do poder visível. Sob sua tutela “nada pode permanecer confinado no espaço do mistério”, ensina Norberto Bobbio.

Atualizando crônica do professor Galdêncio Torquato, a lição é oportuna no quadro em que vive o País, caracterizado por mobilizações de grupos e setores.

A crescente onda de manifestações puxada por descontentes com o governo eleito e a corrupção que agitam a vida nacional, deixam transparecer uma crise de autoridade. O Estado não tem demonstrado competência para fazer cumprir a lei, estabilizar a economia ou prestar contas à massa, cada vez maior, de cidadãos sedentos por justiça.

A par das motivações que estão por trás das ações atuais, é inegável que a minoria está a serviço de entidades ou sindicatos, agindo a soldo coberto por verbas públicas ou de origem ilícita, o que afronta a lei e rompe o limite do Estado de Direito.

Pode-se até argumentar que não seriam meros vândalos e baderneiros ao inseri-los no grupo que atende ao clamor irresponsável de uma liderança, que deseja ver instaurado o caos, a exemplo dos protestos do final dos anos 90, com a visibilidade das manifestações contra a Organização Mundial do Comércio, a batalha de Seattle (1999), e contra o G-8, em Gênova (2001), quando morreu o primeiro ativista do movimento antiglobalização, Carlo Giuliani.

Na moldura brasileira, porém, a indignação do grupo não tem como lastro um episódio de envergadura nem o pano de fundo de profunda crise econômica, como a que abalou nações em 2008. Por aqui, o governo eleito é bombardeado com fake news e uma inimaginável torcida para que fracasse.

Essa atitude entra mais na esfera da barbárie, convergindo para o que Elias Canetti, no clássico Massa e Poder, classifica como malta: “Um grupo de homens excitados que nada desejam com maior veemência do que ser mais; o que lhes falta de densidade real suprem por intensidade”. A falta de discurso é suprida pela estética da destruição.

Lembram-se do “Se for preso ou morto viro herói nacional. Se ficar solto volto a presidente da república”.

Quanta estupidez em poucas palavras. Fica patente a conotação beligerante visando instalar o caos e a desordem.

Aqui cabe um apenso simbólico: A democracia é a arte do diálogo e não a imposição a uma nação.

O presidente do STF, com uma canetada e em decisão monocrática, tumultua investigações em curso e joga mais lenha na fogueira do caso Flávio Bolsonaro. Embora reconheça que é preciso disciplinar as ações do ministério público, que vem sistematicamente atropelando suas funções constitucionais, decisão desta monta deveria ser submetida a plenário.

A foto do presente flagra a violência, mas a legenda é a mesma que Nietzsche gritou do penhasco de Engadine, nos Alpes suíços: “Vejo subir a preamar do niilismo”.

(*) NEIMAR FERNANDES é jornalista e publicitário, pós graduado em marketing pela SUNY-State University of New York e tem mais de 40 anos de experiência com serviços prestados no Brasil e exterior.ACESSE

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