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Quinta-feira, 24 de agosto de 2017
DESENCONTRO CULTURAL LINGUÍSTICO

Há coisas, ou melhor, palavras que transformam a nossa Língua Portuguesa uma das mais difíceis do mundo, mesmo a gente tendo vários países como Portugal e outros tantos na África que falam esse idioma. São estas palavras com vários significados e uma só grafia para tantas coisas que a deixa complicada.

São palavras como MANGA que conforme o contexto que seja empregado ganha um sentido diferente. Manga pode ser de camisa, de candeeiro, fruto, filtro, grupo, ajuntamento, banda, turma, afora tantos outros significados que variam de acordo com o estado brasileiro.

Entretanto, tem outra que não fica atrás e causa muita confusão, principalmente para pessoas de outros países que falam a nossa língua. Essa tal palavra é MEIA. E isso nos reporta a um congresso internacional que estava acontecendo em Fortaleza, estado do Ceará.

Na recepção chega um cidadão, que pelas vestimentas características parecia de outro país. Chegou ao balcão e falou para a recepcionista:

– Por favor, gostaria de fazer minha inscrição no Congresso.
– Pelo seu sotaque vejo que o senhor não é brasileiro. O senhor é de onde?
– Sou de Maputo, Moçambique.
– Da África, né?
– Sim, sim, da África.
– Pronto, tem palestra agora na sala MEIA oito.
– Desculpe, qual sala?
– Meia oito.
– Podes escrever?
– Sessenta e oito, assim, veja: 68.
– Entendi, meia é seis.
– Isso mesmo, meia é seis. Mas, não vá embora, só mais uma informação: A organização cobra uma pequena taxa se quiser ficar com o material do congresso. Quer encomendar?
– Quanto pago?
– Dez reais. Mas, estrangeiros e estudantes pagam MEIA.
– Hmmm! Que bom. Aqui está: seis reais.
– Não, não, o senhor paga meia. Isto é, só cinco, entende?
– Pago meia? Cinco? Meia é cinco?
– Isso, meia é cinco.
– Tá bom, meia é cinco.
– Não se atrase, a palestra é às 9 e MEIA.
– Então, já começou há quinze minutos. São nove e vinte.
– Não, não, ainda faltam 10 minutos. Só começa às 9 e MEIA.
– Pensei que fosse às 9h5, pois meia não é cinco? Pode escrever a hora que começa?
– É assim 9 e meia, assim, veja: 9:30
– Entendi meia é trinta.
– Isso 9:30... Mais uma coisa, aqui o folder de um hotel com preço especial para congressista... O senhor já está hospedado?
– Sim, na casa de amigos.
– Em que bairro aqui em Fortaleza?
– No Trinta Bocas.
– Trinta bocas? Não existe esse bairro em Fortaleza, não seria no Seis Bocas?
– Isso mesmo, no bairro Meia Boca.
– O bairro não é meia boca, é um bairro nobre.
– Então deve ser cinco bocas.
– Não, Seis Bocas, entende, Seis Bocas. Chamam assim por causa do encontro de 6 ruas, por isso seis bocas. Entendeu?
– Acabou? – O jovem senhor já atordoado com tanto desencontro cultural.
– Não, senhor... É proibido entrar de sandálias. O senhor tem de estar calçado de MEIA e com sapatos ...
O moço não disse mais nada. Ficou espantado com tanta MEIA e saiu desorientado rumo à portaria do Centro de Convenções e não mais foi visto.

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