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Quinta-feira, 27 de dezembro de 2018
As origens do Natal vêm de muito longe

Registros de celebrações nessa época do ano podem ser encontrados 7.000 anos antes do nascimento de Jesus. No dia 21/12 acontece o solstício de inverno, a noite mais longa do ano no hemisfério norte - a partir desse dia o sol vai ficando cada vez mais alto no céu, os dias cada vez mais longos, até o solstício de verão, que acontece no dia 21/06 - e o ciclo se inverte.

O dia 21/12 representava, para muitas civilizações ao longo da história, o dia da transição das trevas para a luz - o sol, as colheitas, a fartura, a vida. Todas as culturas sempre celebraram essa data, nas mais diversas festas, pagãs e religiosas.

Os Romanos, por exemplo, celebravam o Deus Mitra (Deus-Sol) no dia 25/12 - as festas duravam dias, com as famílias reunidas em torno de banquetes e trocando presentes entre si - soa familiar?

Em 221 d.C o historiador cristão Sextus Julius Africanus teve uma bela sacada - fixar a data do nascimento de Jesus (desconhecida) no dia 25/12, pois uma celebração cristã nessa época seria interessante de diversas maneiras, inclusive para o arrebanho de mais fiéis. Sua ideia foi aceita e a partir daí os cristãos iniciaram suas celebrações. Associado ao Deus-sol Mitra, Jesus assumiu a forma da luz que traria a salvação para a humanidade.

Essa troca cultural aconteceu também, ao longos dos séculos seguintes, com o Natal cristão incorporando elementos de outras culturas - as comemorações escandinavas do Yule emprestaram o peru assado e a árvore de Natal. Eles também tinham (e ainda tem) a crença numa criatura sobrenatural que vinha trazer presentes para as crianças. Um gnomo, no caso.

Mais tarde o bispo Nicolau de Myra, na atual Turquia, que ficou conhecido no século IV por ajudar desconhecidos jogando sacos com moedas dentro, teve sua fama espalhada, virou santo católico, “Father Christmas” na Grã-Bretanha, Pére Nöel na França, e por aí em diante. Nascia o Papai Noel.

Isso tudo quer dizer o seguinte: vivemos em um mundo onde as culturas se conectam, se complementam. Onde as diferenças são justamente o que nos faz caminhar pra frente e evoluir enquanto seres humanos. Que não existe “eu estou certo”, “essa é a verdade”, “meu Deus é o soberano”. Tudo isso muda, se adapta, se integra e se dissolve na grande rede da experiência humana.

Que possamos então pensar de uma forma mais simples durante as celebrações de dezembro - que deixemos o Sol entrar, e que ele traga luz, vida, sabedoria, compreensão, para todos os povos, todas as crenças, todos as culturas. Pois afinal nascemos todos no mesmo planetinha, aqui viveremos e morreremos. Partilhamos a mesma casa, a mesma origem. Somos farinha do mesmo saco. E se nós não nos ajudarmos mutuamente, aqui e agora, os deuses estarão de mãos atadas.

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